Falando numa conferência de imprensa que teve lugar, esta quinta-feira, na sede nacional do PS, Marcos Perestrello deplorou esta nova manobra política do PSD, avisando estar em causa a própria credibilidade da CNE.
Questionado pelos jornalistas sobre a decisão desta Comissão no sentido de arquivar duas queixas apresentadas pelo PS sobre convites para sessões com o Governo por alegada publicidade institucional em período eleitoral para as Legislativas, Perestrello fez notar que o partido de Luís Montenegro “está a instrumentalizar a Comissão Nacional de Eleições e a minar a sua credibilidade” quando nomeia “o chefe de gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, uma jovem assessora do gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e um antigo presidente da Concelhia do PSD de Lisboa” para funções que tradicionalmente são desempenhadas por técnicos da administração pública.
“Estes três representantes do Estado têm votado invariavelmente em bloco com os representantes do PSD e do CDS, não havendo registo de nenhuma votação contrária aos interesses defendidos por estes partidos”, acusou o porta-voz socialista, apontando que as duas queixas do PS “foram arquivadas contrariando o parecer dos serviços da CNE”.
“Este bloco juntou-se para votar contra o parecer dos serviços da CNE. E eu penso que isso dirá, talvez, um pouco sobre as motivações que estiveram por trás destas deliberações”, considerou.
Além desse arquivamento, Marcos Perestrello referiu ter havido uma outra deliberação – da qual o PS só teve conhecimento oficioso – na qual a CNE notificou o primeiro-ministro para “mandar retirar do site oficial do Governo a informação que constava do Ministério do Ambiente e que considera não cumprir os critérios de isenção que eram requeridos”.