Na sua última mensagem de Ano Novo como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o desejo de que 2026 seja um ano com mais saúde, educação, habitação, justiça, tolerância e concordância em Portugal, com ainda mais emprego e menos pobreza.
Carlos César, que comentou a missiva presidencial na sede do partido em Ponta Delgada, nos Açores, salientou ter-se tratado de uma “mensagem clara” de “inconformismo” e de “recusa da visão dourada” que o Governo liderado por Luís Montenegro “procura vender” ao país.
Notando que a mensagem do Presidente da República também apresentou uma “recusa do logro que constituiu os que se apresentam como salvadores de ocasião” e dos “radicalismos extremistas salvíficos”, Carlos César foi particularmente crítico sobre a reforma laboral que o executivo de Luís Montenegro pretende impor ao país, advertindo que o Governo “não dispõe de maioria absoluta” e que é “indispensável” o diálogo com os parceiros sociais.
“O Governo diz que há todo o mérito seu na situação em que estamos a encontrar de crescimento económico e da confiança do investimento externo. Não se compreende que seja o próprio Governo a destruir essa imagem que procura passar condicionando o futuro da economia a uma reforma laboral que vai introduzir perturbação”, defendeu.
“Para o PS, o que importa neste início de ano é que os portugueses reganhem a confiança e a esperança na sua vida futura e na do país. Uma esperança e uma confiança que estão muito fragilizadas. É preciso reforçar a confiança no Estado de Direito com um melhor governo”, vincou Carlos César.
Na sua declaração, em nota de balanço ao mandato presidencial que agora finda, o presidente do PS enalteceu a “grande proximidade democrática” de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de ter tomado decisões que “prejudicaram a estabilidade política”, fazendo, contudo, uma avaliação globalmente “positiva”.
“São conhecidas as divergências em alguns momentos fundamentais face a medidas tomadas pelo Presidente da República, mas no conjunto do seu mandato fazemos uma avaliação positiva, que contribuiu para a consolidação da democracia portuguesa e do Estado de direito”, afirmou.
“Numa década, o que é mais marcante no exercício da magistratura presidencial é a sua proximidade com os portugueses”, reforçou o Presidente socialista.