Em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, José Luís Carneiro sublinhou que quaisquer decisões nesta matéria devem ser precedidas da audição do PS e do Conselho Superior de Defesa Nacional, lembrando que essa consulta não é apenas desejável, correspondendo a um dever do executivo.
À margem da sua participação numa reunião do Partido Socialista Europeu (PES), que antecede a cimeira extraordinária do Conselho Europeu, José Luís Carneiro assinalou que o eventual envolvimento português no Conselho da Paz é matéria muito sensível, exigindo por isso ponderação, diálogo democrático e respeito pelos mecanismos institucionais do Estado.
Adiantando que o PS tem já de uma posição definida sobre esta matéria, indicou, no entanto, que a mesma será transmitida “aos órgãos e na sede própria”, nomeadamente ao Governo e ao Conselho Superior de Defesa Nacional, antes de ser apresentada no espaço público.
Tal postura, enfatizou, reflete sentido de Estado e respeito pelas instâncias competentes.
No mesmo contexto, o líder do PS assumiu de forma contundente a defesa de uma União Europeia mais forte e autónoma, sustentada por instrumentos financeiros adequados.
José Luís Carneiro manifestou-se favorável à emissão conjunta de dívida europeia como meio indispensável para garantir a autonomia estratégica da União, quer no domínio da defesa, quer nas áreas energética e da inovação.
“Não é possível assegurar essa autonomia sem recursos financeiros suficientes, estáveis e plurianuais”, afirmou, assumindo uma posição que encontra respaldo no relatório Draghi, documento que o Secretário-Geral descreveu como “um guião relevante para a orientação política europeia”.
O líder socialista destacou ainda o papel desempenhado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nos esforços para garantir uma resposta europeia coerente e articulada nos grandes dossiês internacionais.
“Falar a uma só voz é decisivo para a defesa do direito internacional e do multilateralismo, bem como para a afirmação de opções estratégicas da União Europeia”, concluiu.