Em conferência de imprensa realizada, ontem, em Lisboa, na sede nacional, após um encontro com a ICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, o líder socialista insistiu nas virtudes da aplicação, em todo o país, do sistema CREE, um “método modular inovador que articula sustentabilidade, inovação e eficiência”.
E reiterou sentir grande preocupação com a escassez de habitação a preços acessíveis, não só para a as populações mais carenciadas, mas também para a classe média e para os filhos das famílias de rendimentos intermédios, “que não contam com apoios do Estado”.
Na ocasião, o Secretário-Geral do PS voltou a defender o papel crucial que o setor público precisa assumir na resposta à demanda de habitação em Portugal, “mesmo que o privado faça também a sua parte”.
Questionado sobre as declarações do Presidente da República, que equacionou sobre a eficácia da lei dos solos em ano de eleições autárquicas, Pedro Nuno Santos foi claro: “O que o PS está a tentar fazer no Parlamento é minorar os riscos ou impactos negativos da lei”.
Depois sublinhou que não ouviu as declarações do chefe de Estado sobre as dificuldades de aplicação da lei dos solos, mas que “esta legislação já está em vigor”.
“As alterações não são para produzir efeitos imediatos”, acrescentou igualmente, referindo que, “em matéria de habitação não existe nenhuma bala de prata”.
Assinalando que a possibilidade de se adicionarem solos ao perímetro urbanizável abrirá “mais possibilidades de construção”, o líder do PS fez notar a importância de “garantir que essa construção adicional seja de facto dirigida à classe média e a quem tem rendimentos intermédios”, de modo a “prevenir um indesejável aumento dos preços ou especulação”.
Transparência não é populismo nem mentiras
Reagindo de seguida à notícia de que haverá mais governantes com imobiliárias no Governo, Pedro Nuno Santos rejeitou que exista um “ambiente de suspeição face aos políticos”, como tem vindo a alegar publicamente o presidente da Assembleia da República.
“Os bons da política são os que não têm medo do escrutínio”, enfatizou, reforçando, mais uma vez, que o primeiro-ministro tem de responder às dúvidas da oposição sobre a empresa familiar que está na posse da mulher e dos filhos.
Considerando que o executivo de Luís Montenegro estava “mal-habituado”, o Secretário-Geral do PS salientou ainda que “a exigência de transparência nunca fez mal a ninguém”.
Pedro Nuno Santos ressalvou, no entanto, que esta exigência de transparência não deve ser confundida com “populismo e mentiras”, nem com a “exploração inaceitável de situações da vida privada”.
Mas insistiu que os políticos devem ser transparentes “porque têm poder de decisão e poder sobre a vida dos outros”.
“O primeiro-ministro é das pessoas com mais poder em Portugal. E é por isso que ele tem um dever acrescido de transparência”, resumiu.
Já a propósito da notícia do jornal online Observador, dando conta de que o Governo entende que por trás das polémicas que têm atingido vários dos seus membros há uma agenda cruzada entre interesses imobiliários e os media, o líder socialista descreveu esta argumentação como “ridícula”, exigindo que o executivo se posicione sobre a informação avançada, “confirmando ou desmentindo”.
“É grave que se tente passar, de forma escondida, a ideia de que só existe este caso porque alguns órgãos de comunicação social têm uma agenda contra o Governo”, finalizou.