Perante um vasto auditório, o líder socialista garantiu que o PS assume “com clareza” o seu papel como “alternativa democrática e progressista”.
“O PS é e continuará a ser a alternativa séria de governo em Portugal. O grande partido da social-democracia”, vincou, posicionando o partido como eixo de estabilidade e credibilidade num contexto exigente.
O Secretário-Geral destacou ainda a matriz reformista dos socialistas, afiançando que o PS é um partido reformista.
“Digo mesmo, talvez o mais reformista partido em Portugal”, afirmou, recordando o historial de reformas que marcaram o desenvolvimento do país.
Na intervenção de encerramento da vigésima quinta reunião magna do PS, José Luís Carneiro avançou com um abrangente conjunto de propostas para o país, defendendo que “o Governo não está a trabalhar bem” e “os portugueses sabem-no”.
Habitação: acesso universal como prioridade nacional
Na área da habitação, assumiu uma das propostas mais ambiciosas ao defender “uma estratégia nacional que garanta, no prazo de dez anos, acesso universal a habitação condigna”.
Propôs “aumentar significativamente o parque público de habitação acessível”, criar incentivos fiscais e mobilizar Estado, autarquias, cooperativas e privados para aquele que classificou como um “verdadeiro objetivo nacional”.
SNS mais forte e centrado nas pessoas
No domínio da saúde, defende o reforço do Serviço Nacional de Saúde, insistindo na criação de “uma unidade de coordenação e gestão da emergência pré-hospitalar” e um “forte investimento nos cuidados domiciliários”.
Afirmou ainda que “os cuidados primários assumam que são o coração do SNS”, apostando numa resposta mais eficaz, preventiva e próxima das populações.
Economia: crescimento com justiça social
No plano económico, o líder do PS apresentou uma visão assente no equilíbrio entre desenvolvimento e equidade, defendendo “um modelo que combine o crescimento económico com justiça social”.
Neste contexto, destacou como meta estratégica que “até 2035, Portugal deve convergir com a média salarial europeia e, finalmente, atingir a meta de investir 3% do PIB em investigação e desenvolvimento”, reforçando a competitividade e a capacidade científica do país.
Valorização do trabalho como motor do desenvolvimento
Ainda no domínio económico, o Secretário-Geral assumiu uma política clara de valorização dos rendimentos, defendendo “a aceleração do aumento do salário mínimo” e “trajetórias de aumento sustentado dos salários”.
Empresas: incentivos ao investimento e à inovação
Para as empresas, propôs um conjunto de incentivos que promovam a valorização salarial e o investimento, defendendo que estes sejam “equivalentes às receitas de impostos adicionais obtidas pelo Estado por via do aumento real dos salários”.
A par disso, apresentou medidas de estímulo à inovação e qualificação, incluindo benefícios fiscais para PME que invistam em tecnologia e salários, reforçando a modernização do tecido empresarial.
Simplificação administrativa com menos burocracia e mais eficiência
Entre as prioridades socialistas, José Luís Carneiro referiu também a redução dos custos de contexto, através de um “programa de racionalização de taxas e simplificação administrativa, visando reduzir os custos de contexto das empresas”.
Pequeno comércio: dinamização com foco no interior
O líder do PS propõe igualmente “um programa de apoio à qualificação, dinamização e modernização do pequeno comércio, com apoios majorados no interior do país”.
Competitividade: pactos estratégicos para internacionalizar a economia
Com vista ao reforço da competitividade, defendeu a criação de “Pactos Estratégicos para a Competitividade Empresarial”, orientados para a capitalização das empresas e a incorporação de conhecimento científico no processo produtivo.
Autonomia da Juventude como prioridade estratégica
José Luís Carneiro apresentou igualmente “um programa ambicioso de ‘Autonomia Jovem’, que combina habitação acessível, emprego qualificado e formação contínua”.
Erradicar a pobreza infantil
Ainda no plano social, assumiu o compromisso de “acabar com a pobreza infantil até 2035”, alinhando Portugal com as metas europeias e reforçando a proteção das gerações mais vulneráveis.
Administração Pública com serviços mais próximos e inteligentes
O Secretário-Geral do PS defendeu uma “nova geração de Simplex-IA”, com recurso à inteligência artificial para “eliminar a burocracia rotineira” e melhorar o atendimento aos cidadãos.
Integração com responsabilidade
O líder do PS sustentou que Portugal deve “continuar a ser um país que compatibiliza migrações seguras e reguladas com acolhimento e boa integração”, equilibrando responsabilidade, humanismo e eficácia na gestão dos fluxos migratórios.
Justiça: resposta mais célere e eficaz
Apontou a necessidade de reduzir os “atrasos processuais, particularmente nos tribunais administrativos e fiscais”, comprometendo-se a apresentar uma proposta de reforma a curto prazo.
Transição verde com justiça social
No plano ambiental, José Luís Carneiro propôs um “Pacto Verde para Portugal”, conciliando sustentabilidade com competitividade económica.
Entre as metas, destacou a redução da dependência energética e a reabilitação de 80% das habitações vulneráveis em dez anos, combatendo simultaneamente a pobreza energética.
Defesa firme dos direitos laborais
Na área laboral, o líder socialista foi claro ao afirmar que a proposta do Governo “merecerá a rejeição por parte do PS”, por considerar que “visa dinamitar os progressos alcançados com a Agenda do Trabalho Digno”.
Ainda assim, reafirmou abertura ao diálogo, desde que orientado para garantir emprego de qualidade, segurança no trabalho e redução das desigualdades.
Defesa: investimento com impacto económico
José Luís Carneiro defendeu que “o investimento na Defesa tem de contribuir para transformar a nossa base industrial e científica, criar emprego qualificado e promover a coesão”.
Política externa: compromisso com a Europa e o mundo
Em matéria de política externa, o líder socialista reafirmou o compromisso com “a NATO, a União Europeia, o multilateralismo e o direito internacional, sem hesitações”, defendendo uma posição firme de Portugal no contexto internacional.
A par disso, destacou a importância da CPLP e da valorização da língua portuguesa, reforçando a presença cultural, científica e económica do país no mundo.
Ao encerrar a apresentação das suas propostas, José Luís Carneiro reforçou a ambição socialista para Portugal.
“Queremos mais e queremos melhor para o povo e para o país”, disse, assinalando haver “muitas diferenças entre o Governo que temos” e “a alternativa que o PS representa”.
“Enquanto o Governo gere o curto prazo, o PS prepara o futuro”, resumiu, apelando à unidade porque, rematou, “avançamos quando vamos juntos, avançamos quando avançamos todos”.