No final da reunião realizada na sede nacional do PS, em Lisboa, André Moz Caldas, porta-voz do partido, sublinhou que esta decisão responde ao interesse nacional, mas exige ao executivo de Luís Montenegro que aproveite o próximo ano para concretizar políticas públicas capazes de responder aos problemas dos portugueses.
O dirigente socialista esclareceu que a abstenção do PS não representa qualquer aproximação política ao Governo da AD nem concordância com o conteúdo da proposta orçamental apresentada pelo executivo.
“É um compromisso com as portuguesas e com os portugueses, um compromisso com o conjunto do país, é com a estabilidade política e a possibilidade de ultrapassarmos momentos de grande dificuldade”, afirmou, apontando que o sentido de voto dos socialistas tem em conta o desgaste provocado pela sucessão de atos eleitorais e a necessidade de assegurar estabilidade num contexto internacional de grande incerteza.
“Nenhum ou muito poucos portugueses entenderiam ser chamados a eleições mais uma vez, a meio ou a menos de meio de uma legislatura”, sustentou, lembrando que o país foi a votos três vezes durante o período correspondente a uma legislatura normal.
Abstenção não é cheque em branco
Apesar do “consenso total” em torno da proposta de abstenção do Secretário-Geral do PS para a viabilização do Orçamento do Estado do próximo ano, André Moz Caldas deixou claro que este sentido de voto não significa qualquer suspensão da função fiscalizadora do Partido Socialista nem da sua responsabilidade de apresentar uma alternativa política.
“Não seria compreensível, muito pelo contrário, que o PS, a propósito da votação que vai ter num Orçamento do Estado, passasse o cheque em branco e se demitisse de ser partido de oposição até ao fim da legislatura”, afirmou o dirigente socialista, acrescentando que “é desejável, contudo, que as legislaturas se cumpram”.
A terminar, André Moz Caldas sublinhou que a proposta de abstenção de José Luís Carneiro se refere à votação na generalidade, adiantando que o PS prevê manter o mesmo sentido de voto na votação final global, salvo se surgir algum acontecimento que altere os pressupostos da decisão.
