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O populismo cresce quando a governação falha aos problemas concretos dos cidadãos

O populismo cresce quando a governação falha aos problemas concretos dos cidadãos

O Secretário-Geral do Partido Socialista defende que o combate ao populismo exige respostas políticas sérias e responsáveis aos problemas concretos dos cidadãos, alertando que o vazio de soluções estruturadas na governação abre espaço à demagogia e à exploração do descontentamento social.

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Na apresentação do livro “Populismo”, de José António Figueiredo, José Luís Carneiro considerou que a obra constitui “uma reflexão necessária sobre como o vazio de respostas políticas abre espaço ao ruído, à demagogia e às falsas soluções”, sublinhando que enfrentar este fenómeno implica atuar sobre as causas que alimentam a sua expansão.

“Combater o populismo começa por levar a sério os problemas reais das pessoas. Com verdade, mas acima de tudo com responsabilidade”, afirmou, na sessão realizada no Porto, sustentando que a credibilidade das instituições democráticas depende da capacidade de responder eficazmente às necessidades da população.

Na ocasião, o líder socialista salientou que fragilidades nas respostas públicas em áreas essenciais para a vida coletiva criam terreno fértil para o crescimento de discursos simplistas e soluções irrealistas.

“As dificuldades que tem havido nas respostas à habitação, à saúde, aos transportes, à mobilidade, aos rendimentos e às condições de vida para os mais jovens criam o ambiente favorável a que estes movimentos, que parecem trazer soluções simples, possam avançar e progredir”, sintetizou, alertando que os movimentos populistas prosperam explorando sentimentos de insegurança e descrença nas instituições, recorrendo a mensagens oportunistas e adaptadas a cada circunstância.

“É no medo, é no receio, é na desconfiança, é na descrença que aparecem os movimentos populistas, com promessas fáceis, com soluções milagrosas, com respostas ágeis para instrumentalizar esses sentimentos contra as instituições. Uma vez defendendo as eleições, outra vez defendendo que as eleições se devem adiar. Ou seja, a voz e a mensagem será sempre adequada a cada momento em específico”, explicou, avisando de imediato que a mensagem não se quer “duradoura, estruturada ou de projeto”, mas como “resposta imediata aos sentimentos que se estão a viver momentaneamente.”

PS tudo fará para que respostas cheguem às populações

E foi neste contexto que José Luís Carneiro assegurou que continuará a exigir rigor e responsabilidade política na resposta a crises que afetam diretamente a vida das populações, referindo existirem falhas que precisam de ser esclarecidas na atuação do Governo, nomeadamente perante os impactos do mau tempo que tem estado a atingir o território português.

“Eu direi de forma muito clara ao primeiro-ministro, no debate que terei com ele na Assembleia da República, aquilo que há a dizer. E há muito a dizer ao primeiro-ministro e ao Governo sobre como deveria ter feito e não fez”, declarou, acrescentando que não se deve ignorar aquilo que falhou.

“Não é o momento para pedir responsabilidades, mas também não é tempo de esconder aquilo que correu mal. E foram muitas as coisas que correram mal na resposta à crise”, vincou.

O líder do PS enfatizou ainda que a prioridade deve ser apoiar as populações afetadas e garantir que os compromissos assumidos pelo executivo chegam efetivamente ao terreno, assegurando proteção, segurança e condições de vida às famílias e empresas atingidas.

“Este é o momento de arregaçar as mangas, acompanhar a execução das medidas anunciadas e garantir que os apoios prometidos chegam a quem deles necessita”, sublinhou, assegurando que o PS “tudo fará” para que essas respostas sejam concretizadas.

Crise meteorológica revela falhas estruturais do Governo

Ao longo das últimas semanas, o Partido Socialista tem defendido uma abordagem mais estruturada e preventiva perante fenómenos meteorológicos extremos, apontando fragilidades na gestão do executivo chefiado por Luís Montenegro de sucessivas intempéries que provocaram elevados prejuízos em várias regiões do país.

No caso da depressão Kristin, os socialistas consideraram insuficiente a duração do estado de calamidade e criticaram a predominância de apoios assentes em linhas de crédito, defendendo maior recurso a apoios diretos e a fundo perdido para famílias e empresas afetadas.

Relativamente à tempestade Leonard, o PS deplorou falhas ao nível do planeamento e da preparação preventiva, sublinhando a necessidade de reforçar a articulação entre diferentes níveis da administração pública e de investir na adaptação climática.

Quanto à intempérie Marta, o partido alertou para dificuldades persistentes na reposição de serviços essenciais e na recuperação económica de vários territórios.

De forma transversal, os socialistas têm defendido a criação de uma estratégia nacional integrada de resiliência climática, tendo apresentado, no início de fevereiro, um plano de ação orientado para o reforço da proteção civil, a modernização de infraestruturas e a criação de mecanismos de apoio mais eficazes, com o objetivo de proteger as populações, salvaguardar a atividade económica e reforçar a coesão territorial.

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