As manifestações pelo direito à habitação “são o resultado da falta de diálogo e de bom senso deste Governo”, acusou José Luís Carneiro durante a discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027, deixando uma “palavra de solidariedade aos jovens, às suas famílias, aos seus amigos, mas também aos agentes de autoridade democrática que ficaram feridos nestas manifestações”.
De acordo com o Secretário-Geral do PS, esta crise que se vive nas ruas só tem “uma saída política e nunca uma saída policial, mas para ter uma saída política exige-se um primeiro-ministro que lidere o seu Governo e que não se esconda nos momentos de dificuldade”.
Sublinhando que a sua crítica não é feita à polícia, mas sim ao executivo da AD, José Luís Carneiro sustentou que “se houver bom senso da parte do Governo, o direito de manifestação nunca foi incompatível com o Estado de direito democrático”.
O líder socialista frisou que Luís Montenegro “é o responsável” pela lei das rendas que facilita os despejos que e perguntou se o primeiro-ministro está disponível para a deixar cair “e construir, em diálogo com o PS, uma solução que equilibre os proprietários e o interesse dos inquilinos”. E questionou se o Governo está disponível também para trabalhar na alteração de uma renda moderada de 2.300 euros.
Já sobre a possibilidade, levantada pelo Governo e secundada pelo Chega, de haver extremistas infiltrados nas manifestações, José Luís Carneiro perguntou ao primeiro-ministro por que motivo “até agora não convocou o Sistema de Segurança Interna, onde estão os representantes do Governo e da Assembleia da República para garantir que o exercício da autoridade se faz com o conhecimento de todos”.
O Secretário-Geral do PS desafiou ainda o primeiro-ministro a “mobilizar todos os imóveis do IHRU para as autarquias, financiando a sua reabilitação e pô-las ao serviço de municípios”. José Luís Carneiro recordou que “a habitação cresceu em mais de 41% dos seus custos, as rendas cresceram mais de 34% e mais de 18% dos jovens portugueses vivem em casas partilhadas”, por isso, há que tomar medidas.