José Luís Carneiro apresentou, este sábado, em Lisboa, a sua recandidatura a Secretário-Geral com uma mensagem mobilizadora e estratégica, apostada num impulso empreendedor e ambicioso para o país.
Perante uma vasta assistência reunida no jardim da sede nacional do PS, entre muitos dirigentes, fundadores do partido e militantes, José Luís Carneiro deixou claro que não se conforma com “um país que resiste”.
“Queremos um Portugal que se levante”, enfatizou entre aplausos, numa intervenção marcada por um tom de confiança e ambição reformista, na qual o “direito à autonomia” foi afirmado como “a grande causa da próxima década” e como novo pilar do contrato social português.
Defendendo que o país deve dar um passo em frente face ao modelo centrado apenas na proteção social do século XX, o recandidato socialista avisou que o partido está empenhado em “construir a Geração da Autonomia”.
Essa autonomia, explicou, traduz-se em objetivos concretos: “Autonomia para aceder à habitação sem condenação financeira vitalícia; para constituir família sem precariedade permanente; para envelhecer com dignidade; para poder escolher ficar em Portugal e não emigrar por necessidade”.
Prioridades: Habitação, Saúde, Economia e Rendimentos
No Palácio Praia, José Luís Carneiro apontou quatro prioridades políticas — Habitação, Saúde, Economia e Rendimentos — sustentadas numa política fiscal orientada para o crescimento com justiça social.
Na Habitação, estabeleceu uma meta ambiciosa: “garantir que, até 2035, todas as famílias possam viver numa habitação condigna”, mobilizando “todos os recursos públicos, cooperativos, sociais e privados”.
A proposta surge, assinalou, como resposta estruturada à crise habitacional, privilegiando soluções de médio e longo prazo em vez de medidas avulsas.
Na Saúde, reafirmou o compromisso histórico do PS com o Serviço Nacional de Saúde, defendendo que “cumprir a solidariedade significa também defendê-lo como esteio da universalidade no acesso aos cuidados de saúde”.
Propôs, assim, o reforço dos cuidados de saúde primários, o investimento em cuidados continuados e domiciliários e a aprovação de uma lei plurianual de programação de infraestruturas e recursos humanos, com o objetivo de devolver estabilidade e previsibilidade ao sistema.
No plano económico, traçou uma visão assente na modernização produtiva e na incorporação de tecnologia desenvolvida em Portugal.
“Daquilo que precisamos é de maior incorporação de tecnologia na base produtiva nacional”, sublinhou, defendendo que essa tecnologia não pode “continuar a tornar-nos dependentes do exterior”.
A aposta numa economia industrial mais robusta, no reforço da ligação entre ciência e empresas e na valorização da economia do mar foi apresentada como eixo estratégico para aumentar a competitividade e os rendimentos.
Alcançar salário médio europeu
A meta é clara, vincou porque “só assim poderemos ter a aspiração de alcançar, até 2035, salários médios equivalentes ao salário médio europeu.”
No capítulo da política fiscal, indicou que esta deverá funcionar como “ignição para a capitalização das empresas”, associando crescimento empresarial à valorização salarial.
“Propomos mesmo que as empresas venham a ser também beneficiárias do aumento das receitas do Estado resultante da maior receita de IRS que decorra da valorização salarial”, afirmou, sinalizando uma lógica de crescimento partilhado.
Num momento político marcado por polarizações, rejeitou discursos de divisão, considerando-os “abordagens inaceitáveis em sociedades democráticas e pluralistas”, e sublinhou que “a maior riqueza e potencial nacional residem precisamente na diversidade territorial, económica e social”.
Ao descrever o PS como “um partido interclassista e intergeracional”, reforçou uma visão inclusiva que pretende unir gerações, territórios e classes sociais em torno de um projeto comum, defendendo ainda “um Estado inteligente e estratégico, forte nas funções de soberania”, para de seguida manifestar disponibilidade para consensos na reforma da Justiça.
No panorama externo, reafirmou os compromissos europeus e atlânticos de Portugal e a defesa do multilateralismo e do direito internacional, “como o melhor método para salvaguardar a segurança e a paz no mundo”.
Agenda para levantar o país
No fecho da intervenção, deixou uma mensagem com densidade simbólica destacando que “a proteção social foi a grande conquista do século XX”, mas que “a grande tarefa do século XXI deve ser garantir autonomia real às pessoas”.
O apelo final resumiu o espírito da recandidatura de José Luís Carneiro à liderança do PS, determinada a construir um país “que levante salários, oportunidades; que levante o interior; que levante quem trabalha; que levante quem ficou para trás”.
“No serviço a Portugal, contamos todos”, atirou, apresentando o partido como força mobilizadora de uma nova etapa política, apostada em modernizar a economia, reforçar o Estado social e devolver aos portugueses a confiança num país capaz de se reerguer e avançar.
Assumindo-se como alternativa firme à atual governação da AD, dirigiu críticas duras ao executivo de Luís Montenegro, que acusou de privilegiar uma lógica “tática e partidária” em detrimento de reformas estruturais, avisando que o país está perante um Governo que “não reforma e apenas gere — e mal — o dia a dia”, para terminar com a advertência de que a margem orçamental herdada dos anteriores executivos socialistas se encontra em acelerado esgotamento.