A acompanhar de perto a realidade no terreno, o Secretário-Geral do PS deslocou-se a Arruda dos Vinhos e Alenquer, no distrito de Lisboa, para avaliar os danos e sublinhar a urgência de uma liderança política firme e de uma resposta coordenada do Estado, reforçando o compromisso socialista com soluções responsáveis e centradas na proteção das comunidades e dos territórios.
Em Alenquer, onde o temporal já provocou 27 desalojados, 75 deslocados, 32 estradas cortadas e 52 condicionadas, além de prejuízos estimados entre seis e sete milhões de euros, José Luís Carneiro reuniu, esta manhã, com equipas da Proteção Civil e avaliou diretamente os danos causados.
No final da visita, condenou o que considerou serem deslocações meramente simbólicas por parte de membros do Governo da AD, sublinhando a necessidade de medidas concretas.
“Isto não vai lá com um ministro que passa pelos territórios literalmente como visita de médico para depois não dar resposta às pessoas”, disse aos jornalistas, vincando que a gravidade da situação exige liderança e coordenação ao mais alto nível e atribuindo diretamente responsabilidades ao Governo.
Ao insistir na necessidade urgente de assegurar “uma coordenação política e um comando político da parte do primeiro-ministro”, capaz de garantir uma resposta articulada e eficaz às necessidades das populações, o líder socialista propôs a criação de uma equipa de gestão permanente.
Tal equipa, explicou, deverá ser capaz de garantir que a Proteção Civil Nacional funcione em estreita articulação com diferentes ministérios.
“Deve ser criada uma equipa de gestão em funcionamento 24 horas sobre 24 horas, na própria Proteção Civil Nacional, para que ao seu lado estejam os diferentes ministérios”, pontualizou, acrescentando ser ainda fundamental garantir uma ligação direta entre o Governo e o poder local.
“É ele [o primeiro-ministro] que deve pegar no telefone ou quem ele delega essa competência, para ligar aos autarcas, para que eles não sintam a necessidade de estarem permanentemente a fazer os mesmos apelos por falta de sensibilidade de resposta da parte do Governo”, assinalou.
Além da resposta operacional imediata, o Secretário-Geral insistiu no alargamento da situação de calamidade a mais territórios particularmente afetados, incluindo Arruda dos Vinhos, Alenquer e concelhos da região da Lezíria do Tejo, voltando a apelar à prorrogação dessa classificação “pelo menos por três meses”.
Já no plano político-institucional, José Luís Carneiro salientou a importância do funcionamento pleno da Assembleia da República, mesmo perante situações excecionais.
Apesar de concordar com o adiamento do debate quinzenal, reagendado para o dia 19 após a demissão da ministra da Administração Interna e a assunção temporária dessas funções pelo chefe do executivo, o líder socialista fez questão de lembrar que “durante o estado de emergência na pandemia [de Covid-19], o Parlamento continuou a funcionar”, reforçando que é na casa da democracia que se garante “o escrutínio e a fiscalização do Governo”.
Situação exige “comando político forte e eficaz”
No dia anterior, em Arruda dos Vinhos, o Secretário-Geral do PS já tinha apresentado uma proposta que descreveu como “determinante” para reforçar a capacidade de resposta do país a catástrofes naturais, com foco na responsabilidade operacional do Governo.
Sugeriu então ao primeiro-ministro a ativação de um comando operacional que assegure uma resposta integrada do executivo, reiterando a necessidade de um “comando político forte e eficaz”.
“Eu quero fazer uma proposta construtiva mais uma vez ao primeiro-ministro, e a proposta construtiva é para que ative um comando operacional para garantir uma interlocução única na resposta integrada que o Governo deve dar ao conjunto destas catástrofes que se abateram sobre os territórios”, adiantou.
José Luís Carneiro, que já desempenhou funções como ministro da Administração Interna, defendeu ainda a criação de “equipas multidisciplinares que acompanhem, ao minuto, à hora, o que está a passar em todo o país”, indicando que essa estrutura é “absolutamente decisiva e é condição essencial para responder às pessoas”.