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José Luís Carneiro pede humildade ao Governo e exige diálogo sério com os trabalhadores

José Luís Carneiro pede humildade ao Governo e exige diálogo sério com os trabalhadores

No rescaldo da greve geral que mobilizou mais de três milhões de trabalhadores e paralisou setores essenciais da economia pública e privada, o Secretário-Geral do Partido Socialista deixou um aviso claro ao Governo, sublinhando que a dimensão e o impacto da paralisação constituem uma mensagem inequívoca: os trabalhadores exigem respeito, diálogo e proteção efetiva dos seus direitos.

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Falando aos jornalistas em Baião, no distrito do Porto, à margem de um jantar de Natal com militantes socialistas que decorreu na sexta-feira, José Luís Carneiro fez notar que é urgente e imperativo que o Governo da AD ouça o país real e abandone a postura de arrogância política que tem vindo a manter.

Na ocasião, o líder do PS voltou a sublinhar que as alterações laborais propostas pelo executivo chefiado por Luís Montenegro não foram, em momento algum, colocadas a debate com a sociedade portuguesa — nem durante a campanha eleitoral nem no programa apresentado aos eleitores.

Por isso, reiterou que “o PS nunca estará disponível para fragilizar os direitos dos trabalhadores nem para atacar alicerces civilizacionais”.

Numa referência a notícias recentes sobre a disponibilidade da UGT para regressar à mesa das negociações, José Luís Carneiro insistiu na necessidade de o Governo adotar uma postura de humildade.

“Tem de deixar de estar cheio de si próprio e tem de ser capaz de ouvir os representantes dos trabalhadores”, afirmou, aconselhando o executivo da AD a encetar uma negociação séria e responsável com os parceiros sociais, em particular com os representantes sindicais.

Quanto ao teor do pacote laboral em discussão, o Secretário-Geral admitiu expressamente que “nada fazia prever que o Governo fosse tão longe na disrupção de direitos fundamentais”.

Entre os exemplos apontados, destacou o risco de lançar os jovens na precariedade, o agravamento da vulnerabilidade de trabalhadores já fragilizados — como as trabalhadoras domésticas e os trabalhadores da agricultura e da construção civil — e a abertura da porta ao despedimento sem justa causa.

José Luís Carneiro condenou ainda a forma como o executivo avaliou a greve geral, classificando-a como “inexpressiva”.

Tal leitura, criticou, revela uma incapacidade de escutar a mensagem transmitida por mais de três milhões de trabalhadores.

“Querer negar uma realidade objetiva que parou setores vitais da economia pública e privada mostra a altivez, a arrogância e a insensibilidade de um Governo que está a ir pelo mau caminho”, alertou, voltando a apelar à simplicidade e ao respeito no relacionamento com a oposição e com os representantes dos trabalhadores.

PS define “matérias inultrapassáveis” em defesa do trabalho digno

Ainda neste contexto, o líder socialista assinalou, de forma clara, que existem “matérias inultrapassáveis” que merecerão sempre a oposição firme do PS, nomeadamente o despedimento sem justa causa, o aumento e prolongamento dos contratos a prazo, a despenalização do trabalho informal — que descreveu como um incentivo à economia paralela — e propostas que ofendem mulheres e famílias na conciliação entre a vida pessoal e a vida profissional.

“São matérias inultrapassáveis. O Governo tem mesmo de voltar à estaca zero”, atirou.

Perante uma economia mundial que atravessa profundas transformações impulsionadas pela tecnologia e pela Inteligência Artificial, o Secretário-Geral socialista manifestou ainda disponibilidade para um “amplo debate nacional, no quadro da concertação social, envolvendo trabalhadores e empresas, com o objetivo de enfrentar os novos desafios sem sacrificar direitos nem comprometer a coesão social”.

“A greve geral mostrou um país que quer ser respeitado; cabe agora ao executivo demonstrar humildade democrática, dialogar com seriedade e assumir a responsabilidade de não virar costas a quem trabalha”, concluiu José Luís Carneiro.

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