Em declarações proferidas, ontem à noite, a partir da sede nacional do Partido Socialista, em Lisboa, José Luís Carneiro começou por deixar “uma palavra de gratidão a todas e a todos os portugueses” pela participação cívica demonstrada, estendendo esse reconhecimento a quem assegurou o regular funcionamento do processo eleitoral, num agradecimento que, sublinhou, é também um “sinal de vitalidade democrática do país”.
Na ocasião, o líder socialista destacou que a vitória de António José Seguro é motivo de “grande alegria para todas e todos os socialistas”, sublinhando o empenho, a mobilização e o compromisso demonstrados ao longo da campanha.
Mais do que o resultado numérico, José Luís Carneiro valorizou a forma como o candidato conduziu o processo eleitoral, salientando a atitude de respeito pelos adversários e a decência que marcou a sua campanha.
Na leitura política do PS, explicou, Seguro venceu a primeira volta das presidenciais por ter apresentado prioridades claras e centradas nas pessoas, “colocando no centro do debate temas como a saúde, a habitação, a economia, a valorização dos salários e a defesa da dignidade laboral”.
A isso acresce, frisou igualmente o líder socialista, “uma defesa firme da democracia e da Constituição”, um posicionamento que se revelou determinante no atual contexto de crescente polarização política no país.
Escolha pela visão democrática
Colocando desde já o foco na segunda volta, José Luís Carneiro lançou um apelo reforçado e direto à mobilização de um amplo arco democrático, dirigindo-se não apenas aos socialistas, mas também a sociais-democratas, humanistas e democratas-cristãos.
Em causa, afirmou, está uma escolha clara para o país: “De um lado, uma visão democrática; do outro, uma tendência autocrática. De um lado, a ponderação, o equilíbrio e o prestígio das instituições; do outro, a falta de ponderação, o desequilíbrio e a desvalorização das instituições democráticas”.
E neste ponto da sua intervenção, fez notar que os portugueses serão chamados novamente às urnas, dentro de três semanas, para decidir “quem querem ver a representar Portugal nas relações internacionais e nas suas instituições, bem como a defender valores essenciais como o Estado de direito, as liberdades e garantias dos cidadãos, o multilateralismo e o respeito pelo Direito Internacional”.
“É uma decisão que ultrapassa lógicas partidárias e coloca o interesse nacional no centro da escolha”, enfatizou.
Mobilização para a segunda volta
José Luís Carneiro reforçou ainda a posição de princípio do PS ao longo deste processo, reafirmando que o partido sempre deixou claro o que faria numa segunda volta entre um candidato democrata e um candidato com inclinações autocráticas, respeitando, no entanto, as decisões que outras forças políticas venham a tomar de acordo com a sua consciência.
Revelou também ter já contactado António José Seguro para lhe transmitir pessoalmente “uma palavra de apoio e votos de sucesso para a etapa que agora se inicia”.
“Até 8 de fevereiro há muito a fazer. Esse trabalho começa agora. Vamos ao trabalho”, declarou, sinalizando uma mobilização imediata para consolidar uma maioria democrática em torno de Seguro – “o candidato que melhor representa os valores constitucionais e as prioridades que servem as pessoas”.