Falando este domingo à noite, a partir da sede nacional do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro saudou o desfecho da segunda volta das eleições presidenciais, classificando-o como “a vitória de um amplo campo democrático, da esquerda até ao centro-direita”, que “reforça o papel das instituições como garante da estabilidade política e social”.
O líder do PS acrescentou tratar-se igualmente “da vitória da democracia e dos valores constitucionais”, vincando o alcance político e institucional do resultado.
Nesse sentido, destacou que a eleição de Seguro para a Presidência da República, no atual contexto político, traduz sobretudo “a vitória das liberdades, dos direitos e das garantias de todas e de todos os cidadãos”, reiterando a centralidade da Constituição no funcionamento do Estado.
“A democracia, hoje e mais uma vez, venceu. É a vitória de um socialista de sempre, mas é sobretudo a vitória de um Presidente de todos e para todos”, declarou José Luís Carneiro, evocando o legado presidencial de Mário Soares e de Jorge Sampaio.
Ao sublinhar a dimensão transversal do apoio alcançado pelo novo Presidente da República, o líder do PS enalteceu o facto de António José Seguro, antigo líder socialista e referência do socialismo democrático, ter conseguido mobilizar um vasto espectro político.
“Esta é a vitória de um amplo campo político democrático, que vai da esquerda à esquerda do PS até ao centro-direita, a direita democrática”, afirmou, salientando ainda a expressividade da votação obtida.
Nesse ponto, fez notar que o novo Chefe de Estado foi eleito “com cerca de dois terços dos votos dos portugueses”, um resultado cuja dimensão constitui “um sinal inequívoco da valorização da estabilidade institucional” e representa “em si mesmo uma mensagem muito importante”.
PS pronto para construir consensos nacionais
Perante os jornalistas, o Secretário-Geral socialista defendeu depois que a eleição de Seguro cria também condições para reforçar a união no país e consolidar soluções políticas estáveis.
“António José Seguro, eleito agora com uma maioria muito expressiva para assumir a função de Presidente da República, vai trazer união a todos os portugueses”, afirmou, indicando que “a independência, a isenção e a imparcialidade do mais importante árbitro institucional são decisivas para construirmos soluções para um novo ciclo político de estabilidade para o qual o Partido Socialista quer contribuir. Assim o Governo esteja preparado para receber os contributos que temos para dar”.
Reiterou, assim, a disponibilidade dos socialistas para participar na construção de consensos estruturais, sublinhando que o objetivo passa por responder às principais preocupações dos portugueses.
Entre as áreas prioritárias, José Luís Carneiro referiu o reforço das capacidades da defesa, da segurança e da proteção civil, bem como eventuais reformas na justiça, além de um “compromisso duradouro para responder às necessidades dos cidadãos” no Serviço Nacional de Saúde e na política de habitação.
Ao mesmo tempo, deixou um apelo ao executivo da AD para privilegiar o diálogo institucional.
“O Governo tem sobre si uma grande responsabilidade”, disse o líder do PS, advertindo que a equipa chefiada por Luís Montenegro “só não responderá aos problemas dos portugueses se continuar a insistir na insensibilidade, na arrogância e no distanciamento”.
Da parte do PS, assegurou, “existe disponibilidade para construir consensos políticos, em linha com o apelo ao entendimento institucional defendido pelo novo Presidente da República durante a campanha”.
Da gratidão institucional à vitória da coragem política
O Secretário-Geral do PS deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao Presidente cessante, valorizando o exercício das suas funções.
“Nem sempre estivemos de acordo, é verdade, mas seria de uma grande injustiça não deixarmos ficar uma palavra de reconhecimento ao senhor Presidente Marcelo Rebelo de Sousa”, disse, destacando o contributo do ainda chefe de Estado para a preservação e defesa da democracia, da Constituição e por “dar voz às minorias”.
José Luís Carneiro iniciou a sua intervenção com uma mensagem de solidariedade para com os cidadãos que enfrentam severas dificuldades e que não puderam participar no ato eleitoral, reiterando a disponibilidade dos socialistas para cooperar com o Governo na resposta aos desafios sociais agravados pelo mau tempo.
O líder do PS expressou ainda gratidão a todos os eleitores e aos que contribuíram para o regular funcionamento do processo democrático, no território nacional, nas regiões autónomas e nas comunidades portuguesas no estrangeiro, sublinhando que o resultado alcançado por António José Seguro nesta segunda volta das eleições presidenciais “simboliza uma vitória da coragem política e da confiança dos cidadãos”.
“A vitória de António José Seguro é uma vitória sua, em primeiro lugar, da sua coragem. Ele avançou sozinho, com estimativas eleitorais muito baixas e, a partir de uma atitude de coragem, progressivamente conquistou os portugueses. Isto é uma grande alegria”, concluiu.