“Aquilo que exigi ao primeiro-ministro foram duas questões fundamentais. Por um lado, tem publicamente de se comprometer com o PS, de que não haverá alterações à Constituição, relativamente às quais os dois partidos fundadores da democracia não estejam de acordo”, disse José Luís Carneiro.
“Em segundo lugar – e aqui o primeiro-ministro já deu essa garantia -, não se pode mexer nas pensões. Nós queremos ser a garantia da segurança dos pensionistas e das pensões”, acrescentou.
Para o líder socialista, há duas outras questões fundamentais que devem ser igualmente esclarecidas pelo primeiro-ministro e pelo Governo da AD.
“Como é que se vão financiar os investimentos previstos em escolas, hospitais, centro de saúde e equipamentos sociais, depois do plano de recuperação e de resiliência, na medida em que o Governo deixou por executar muitos desses projetos. Por outro lado, como é que o Governo vai responder às tempestades, nomeadamente nos apoios que prometeu às empresas, às famílias e às autarquias”, questionou, durante uma visita às Festas das Vindimas, em Palmela, no distrito de Setúbal.
José Luís Carneiro afirmou que só após haver uma palavra clara do primeiro-ministro sobre estas matérias é que os socialistas vão olhar para a proposta do Orçamento do Estado de 2027.
O Secretário-Geral socialista deixou ainda um aviso sério do que poderia ser a posição do PS, caso o Governo ignorasse a necessidade de um compromisso em torno destas condições.
“Vamos imaginar que o Governo tomava decisões relativas à privatização da saúde, relativas à privatização da Segurança Social e que dava respaldo orçamental a essas medidas. Pois com certeza que nós não poderíamos viabilizar uma proposta do Orçamento do Estado nessas condições”, sublinhou.
Ainda sobre o debate da moção de censura, José Luís Carneiro lamentou a postura desrespeitosa do Chega no final da votação, considerando que foi “um momento triste”.
“Eu gostava de deixar ficar uma palavra de profunda tristeza pela forma como hoje André Ventura e os seus deputados desrespeitaram a Casa da Democracia. É triste porque houve tantos que perderam a vida, tantos que entregaram as suas vidas à causa democrática”, disse o líder socialista.