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José Luís Carneiro defende papel de Portugal na ligação entre Europa, América e África

José Luís Carneiro defende papel de Portugal na ligação entre Europa, América e África

O Secretário-Geral do PS, José Luís Carneiro, participou como orador convidado na Rentrée Política do IPDAL – Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, em Lisboa, onde defendeu a importância do papel que Portugal deve assumir na ligação entre a Europa, a América e África.

No encontro, realizado na quarta-feira e que reuniu vários Embaixadores e representantes diplomáticos, José Luís Carneiro começou por salientar o momento particularmente exigente vivido pela comunidade internacional, que exige uma aposta no multilateralismo, no diálogo e na cooperação.

Com as relações entre a Europa e a América Latina como pano de fundo, o líder socialista defendeu que o reforço da autonomia estratégica europeia, em matérias como a energia e a transição digital, deve ser acompanhado por relações estruturadas e mutuamente benéficas com outras regiões, nomeadamente entre África, América Latina, Médio Oriente e Ásia.

“A Europa quer realizar a sua transição energética e digital. E não o pode fazer que não seja com base na cooperação partilhada e na criação de valor conjunto, de valor económico comum entre os países que integram esta cooperação triangular. Tanto mais que parte significativa das reservas estratégicas globais estão mesmo nos países que se encontram neste triângulo”, assinalou.

Neste âmbito, o Secretário-Geral do PS destacou o potencial das redes de conhecimento, da mobilidade académica e da cooperação entre instituições de ensino e investigação.

“As nossas instituições de investigação, as nossas redes de mobilidade de jovens estudantes, de jovens professores, de jovens investigadores, podem constituir redes de conhecimento que diagnostiquem as oportunidades, mas também as ameaças e os riscos. É essencial que as bases da cooperação comum que temos vindo a desenvolver possam produzir outros e melhores resultados”, defendeu.

José Luís Carneiro apontou, depois, que Portugal tem hoje uma economia que não valoriza nem potencia dois terços do seu território, sendo este um desafio fundamental para que o país possa agarrar oportunidades e desenvolver plataformas de cooperação multilateral.

“Nós temos dois terços do território do país que está em inutilidade económica. Depois temos 240 mil jovens, 100 mil no ensino profissional e 140 mil que não estudam nem trabalham, cujo potencial não está valorizado nem aproveitado. Temos uma economia do mar que conta apenas 4% para a nossa riqueza nacional. E temos hoje uma estrutura de oportunidades – o investimento na defesa – que não está a ser potenciado como devia, no que respeita ao aproveitamento de uma estrutura de oportunidades europeia que se está a constituir”, exemplificou.

Portugal defenderá sempre a paz e o respeito pelo direito internacional

Num dia dedicado ao diálogo e cooperação no plano cultural, económico e político, José Luís Carneiro marcou também presença na conferência comemorativa dos 40 anos do Mestrado em Estudos Africanos, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), onde teve oportunidade de abordar, à margem do evento, a visita a Portugal, esta quinta-feira, do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio.

Questionado pelos jornalistas sobre o que transmitiria ao alto responsável da administração dos EUA, o líder do PS destacou a posição de compromisso nacional com a defesa da paz e o respeito pelo direito internacional.

“Portugal, como um país de média dimensão, bater-se-á sempre nas Nações Unidas pela paz, pelo desenvolvimento integrado e sustentado das regiões e pelo respeito pelo direito internacional”, afirmou.

De acordo com o líder socialista, há matérias muito relevantes na política internacional atual, desde logo “a paz na Ucrânia, a paz no Médio Oriente e o desenvolvimento das crises que têm vindo a criar graves dificuldades na economia e nas sociedades europeias”.

“Mas é necessário olhar para o médio e para o longo prazo e compreender que grande parte das soluções estratégicas para o futuro da Europa se podem encontrar numa relação mais complementar entre a Europa, entre o projeto europeu e a África. Portugal pode e deve ser a ponte do diálogo entre a Europa e o continente africano e, particularmente, os países da expressão oficial portuguesa”, reiterou José Luís Carneiro.

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