José Luís Carneiro foi reeleito Secretário-Geral do Partido Socialista com uma votação expressiva, reforçando a sua liderança num momento em que os socialistas abrem um novo ciclo político.
Nas eleições diretas realizadas este fim de semana, o dirigente socialista obteve 97,1% dos votos expressos, com mais de 20 mil militantes a participarem no ato eleitoral, numa taxa de participação (55,3%) superior à registada na eleição anterior.
No primeiro discurso após a divulgação dos resultados provisórios, na sede nacional do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro destacou a dimensão da votação, sublinhando que os mais de 20 mil votos recebidos fazem dele “o líder político mais votado de todos os líderes que hoje se encontram na Assembleia da República”.
José Luís Carneiro assumiu que o resultado obtido nestas diretas lhe confere uma responsabilidade acrescida na condução do PS e reiterou que a liderança socialista também passa pela preparação de uma alternativa governativa.
Ao reafirmar que decidiu recandidatar-se “para servir o país”, habilitando-se no futuro “a ser candidato a primeiro-ministro”, o líder socialista defendeu ainda que a força do partido reside na diversidade interna, sublinhando que o PS deve continuar a ser “a grande casa comum da democracia”, onde diferentes sensibilidades convergem em torno de um projeto político comum.
Jovens que não estudam nem trabalham como prioridade
Entre as prioridades políticas anunciadas no discurso que proferiu após serem conhecidos os resultados das diretas, José Luís Carneiro destacou uma preocupação social que pretende colocar no centro da ação do partido: a situação dos jovens que não estudam nem trabalham.
Lamentando que existam atualmente cerca de 140 mil jovens nessa condição — um problema que classificou como “a principal urgência política” —, o líder socialista sustentou ser urgente “encontrar uma forma de responder com propostas políticas a estas famílias e a estes jovens que vivem em desespero e em desesperança em relação ao futuro”.
Nesse sentido, anunciou que a partir de maio irá mobilizar as estruturas do PS para um novo ciclo de contacto direto com o terreno.
“Vou convocar todas as estruturas dirigentes do Partido Socialista para irmos de novo ao terreno, saber quem são, onde estão e como é que é possível montar um projeto político capaz de responder a estes jovens”, adiantou, indicando que a iniciativa incluirá visitas a empresas, centros de formação técnica e instituições de investigação, com o objetivo de aproximar políticas públicas, formação e oportunidades de emprego.
Economia do mar como vetor estratégico
Outra das prioridades anunciadas passa pela valorização da economia do mar, área que o reeleito líder socialista considera estratégica para o crescimento económico do país.
E por isso, assegurou, irá lançar um “roteiro da economia do mar”, defendendo que Portugal deve olhar para o potencial da sua plataforma continental e para os setores associados ao mar como um “motor de investimento e criação de riqueza”.
A aposta, explicou, visa articular investigação científica, indústria e políticas públicas, visando transformar o mar num dos pilares da economia nacional nas próximas décadas.
Numa referência à realidade nacional, José Luís Carneiro recordou ter encontrado, durante a campanha interna pelo país, um sentimento generalizado de frustração com o atual Governo da AD.
Em contraste, apontou ter encontrado também uma renovada confiança no projeto socialista.
“Encontrei a esperança de novo no PS”, frisou.
No plano institucional, o líder socialista relegitimado anunciou que pretende solicitar uma reunião ao Presidente da República, António José Seguro, para apresentar cumprimentos após a reeleição e discutir temas relevantes para o país.
Reiterou também a disponibilidade do PS para procurar entendimentos em matérias consideradas estruturais, como defesa, justiça, segurança interna e saúde.
“Estamos disponíveis para construir soluções que sirvam o país”, afirmou.
Congresso e novo ciclo político
A votação deste fim de semana foi acompanhada pela eleição dos delegados ao XXV Congresso Nacional do PS, que se realiza entre 27 e 29 de março, em Viseu.
A reunião magna dos socialistas deverá servir para consolidar a liderança de José Luís Carneiro e discutir a estratégia política do partido para os próximos anos.
Entre as linhas orientadoras da moção estratégica apresentada pelo Secretário-Geral reeleito estão a habitação, a saúde, o aumento dos salários e uma economia mais tecnológica e competitiva.
O objetivo, reiterou José Luís Carneiro, passa por “elevar progressivamente o nível de remunerações em Portugal”.
“Temos a ambição de que até 2035 sejamos capazes de ter salários médios em Portugal equiparáveis aos salários médios europeus”, rematou.