Falando no Porto, à entrada para uma reunião com militantes e simpatizantes, na sede da Federação socialista, o Secretário-Geral do PS afirmou que o chamado programa “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR) surge numa fase em que o Estado já deveria estar no terreno a resolver problemas básicos.
“É um plano de intenções e como tal é naturalmente bem-intencionado. Mas há questões de urgência que têm de ser resolvidas, nomeadamente a recuperação das habitações”, afirmou, insistindo que muitas famílias continuam sem respostas essenciais.
O líder socialista alertou para situações ainda críticas em vários municípios da região Centro do país, onde persistem falhas de comunicações, cortes de eletricidade e vias rodoviárias destruídas.
Referiu, a propósito, casos como Castelo Branco e Covilhã para ilustrar a falta de acompanhamento por parte do executivo de Luís Montenegro, defendendo que “o Governo devia estar já a dar respostas muito concretas para repor infraestruturas fundamentais”.
Neste ponto, lembrou que o PS apresentou cerca de 70 propostas para responder à emergência causada pelas intempéries, defendendo um modelo de apoio mais justo para as famílias.
É que, sinalizou, “o limite de 10 mil euros para a recuperação de casas é, na maioria dos casos, manifestamente insuficiente”.
“Sempre que o esforço das famílias ultrapassar esse valor, elas só devem suportar até 10% em função do rendimento do ano anterior, e o restante deve ser assegurado pelo Estado”, defendeu.
Também no apoio às empresas, José Luís Carneiro apontou a urgência de dar uma resposta que não dependa apenas de crédito.
“É preciso garantir que existem apoios a fundo perdido, para que as empresas não sejam empurradas para um endividamento sem saberem se conseguirão retomar a sua atividade”, vincou, estendendo esta preocupação aos setores da agricultura e das pescas, onde, disse, “há vidas profissionais totalmente comprometidas”.
Faltam respostas imediatas de apoio
Mais tarde, em Baião, o Secretário-Geral criticou o facto de o plano governamental projetar respostas até 2034, considerando que esse horizonte temporal não resolve as emergências que se vivem atualmente no terreno.
“Não é com um plano de intenções que vai até 2034 que se responde a necessidades urgentes”, sublinhou, questionando igualmente o adiamento da votação do PTRR para abril e a ausência de clareza sobre as fontes de financiamento.
Outro ponto destacado por José Luís Carneiro prendeu-se com a necessidade de manter a isenção de portagens nas zonas afetadas.
“Enquanto não forem repostas as condições normais de mobilidade, os cidadãos desses municípios devem ficar isentos do pagamento dessas portagens”, sustentou.
Apesar das críticas, o líder socialista reiterou a disponibilidade do PS para contribuir para soluções eficazes e confirmou uma reunião com o primeiro-ministro, na quarta-feira, onde espera obter esclarecimentos e insistir numa resposta mais célere e próxima das necessidades reais das populações.