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Acordo do PSD com Chega nos Açores mostra que “vale tudo para alcançar o poder”


O Secretário-geral adjunto do Partido Socialista, José Luís Carneiro, exigiu hoje ao presidente do PSD, Rui Rio, um “cabal esclarecimento” ao país sobre um anunciado acordo com o Chega para uma solução governativa nos Açores, considerando que, a confirmarem-se os termos desta negociação, o principal partido da direita portuguesa “pisou a linha vermelha dos princípios e dos valores constitucionais” e “virou as costas” ao partido de Francisco Sá Carneiro”.

“Hoje, confirmaram-se as piores suspeitas que prevaleciam na opinião pública portuguesa: a suspeita de que o doutor Rui Rio estava em negociações com o Chega, tendo como moeda de troca a revisão da Constituição. Com esta negociação feita com a extrema direita, o doutor Rui Rio pisou a linha vermelha dos princípios e dos valores constitucionais e virou as costas ao PPD/PSD de Francisco Sá Carneiro”, declarou José Luís Carneiro, em conferência de imprensa, na sede do PS.

Em causa está o anúncio feito hoje pelo Chega de que “vai viabilizar o governo de direita nos Açores”, após ter chegado a um acordo com o PSD em “vários assuntos fundamentais” para aquela região autónoma e para o país, nomeadamente quanto a um processo de revisão constitucional iniciado pelo partido de André Ventura.

Perante estas declarações tornadas públicas, o Secretário-geral adjunto socialista considerou que Rui Rio deve aos portugueses “um esclarecimento cabal”.

“Quais foram os princípios e os valores que o doutor Rui Rio deixou cair relativamente à revisão constitucional para alcançar o poder na região autónoma dos Açores?”, questionou o ‘número dois’ da direção socialista, afirmando que o líder do PSD mostrou que “vale tudo para alcançar o poder” e que esta atitude “feriu a dignidade de um processo de revisão constitucional”.

José Luís Carneiro acrescentou ainda que o Partido Socialista respeita a autonomia do PS/Açores e entende como “legítima uma solução com suporte parlamentar, seja nos Açores, na Madeira ou no continente”.

“O que sublinhamos é que não se pode vender a dignidade de um processo de revisão constitucional para se alcançar o poder, seja o poder alcançado numa região autónoma ou no exercício de funções no continente”, sustentou.