Opinião: Confiança, credibilidade, estabilidade


(Artigo de opinião escrito para o Jornal de Notícias)

As eleições legislativas de 2015 marcaram uma imensa mudança política em Portugal. Podiam ser apenas mais umas eleições que ditavam a alternância de poder entre os dois maiores partidos. Assim não foi. O Governo do PS sucedeu ao mais radical e reacionário Governo de depois do 25 de Abril, que escolhera um caminho que empobreceu pessoas e famílias, as empresas e o país. Uma taxa de desemprego brutal. As prestações sociais cortadas ou subtraídas. O anúncio de mais e mais impostos em nome de “ir além da troika”. Jovens e menos jovens a partirem para fora em busca de melhores oportunidades. Um país deprimido e cinzento, entregue ao fatalismo do “não há alternativa”, a quem o Governo da Direita proclamava que todas as medidas de empobrecimento se deviam ao facto de os portugueses “viverem acima das suas possibilidades”. Um ataque permanente à dignidade das pessoas. Medo, incerteza, tristeza.

A noite eleitoral deu o sinal de mudança. O anúncio no Congresso do PS, um ano antes, do fim do arco da governação estava prestes a ser realidade e demoliu-se um muro com mais de 40 anos. Foram criadas as condições para um entendimento do PS, PCP, BE e PEV, sem que nenhum dos partidos abdicasse da sua identidade. Um compromisso para a legislatura em nome da melhoria da vida dos portugueses, de mais crescimento económico e de recuperação da credibilidade externa do país.

Em dois anos, o Governo do PS provou que, efetivamente, “há sempre alternativa em Democracia”! Os portugueses recuperaram rendimentos na reposição de salários ou nas prestações sociais, no aumento do salário mínimo e no descongelamento das carreiras, no fim da sobretaxa, na recuperação das pensões e seu aumento. Foram criados mais de duzentos mil novos postos de trabalho, os funcionários públicos voltaram às 35 horas de trabalho. As famílias com filhos no primeiro ciclo beneficiam dos manuais escolares gratuitos e há cem novas salas de pré-escolar, ao mesmo tempo que se dão oportunidades aos adultos com o programa Qualifica. Portugal voltou a convergir com a Europa. Portugal está mesmo melhor ao final de dois anos.

Melhoria sustentada no rigor das contas públicas. Cumprindo os compromissos com a UE foi possível ter o mais baixo défice da nossa Democracia e sair do Procedimento por Défice Excessivo. Melhoria alavancada pelo crescimento da economia (2,5%), o maior deste século.

Sim, prometemos e cumprimos!

Os próximos dois anos de Governo têm de continuar este caminho de consolidação das contas públicas e melhoria de vida das pessoas e das empresas. Continuar a dar resposta aos problemas das pessoas e continuar o processo de reconstrução das vidas destroçadas pelos incêndios deste ano.

A recuperação da confiança, da credibilidade e da estabilidade na vida dos portugueses, ao longo destes dois anos, é um património que o PS e o seu Governo não desperdiçarão. Vamos continuar.