“Os factos desmentem a narrativa do Governo. Afinal, o saldo da Segurança Social estava escondido em mais de mil milhões de euros, tal como o Secretário-Geral do PS disse na discussão do Orçamento do Estado e o Governo repetidamente negou”, sustentou o socialista em declarações à comunicação social.
António Mendonça Mendes comentou que, “ao contrário das promessas do Governo, a carga fiscal sobe” e acrescentou que o Executivo “trocou a execução do PRR pelo saldo orçamental, ou seja, temos menos construção de creches, de escolas, de centros de saúde e de estradas a favor de um saldo orçamental”.
O vice-presidente da bancada do PS explicou que “os dados da execução orçamental não podem ser desligados da divulgação do Boletim Económico do Banco de Portugal” de ontem. Ficou claro que, “afinal, não é assim tão fácil crescer acima de 3%”, denunciou o socialista, que considerou que “o cadastro do Governo” é não conseguir crescer acima de 2%.
António Mendonça Mendes notou que o “crescimento económico não está baseado nas exportações como ao longo do último período de governação, mas sim no consumo interno, que decorre do mercado de trabalho muito mais robusto e é esse mercado de trabalho, aliás, que justifica mais receita fiscal e mais receita contributiva”.
Com o mercado de trabalho nestas circunstâncias, o vice-presidente da bancada do PS considerou mesmo “um paradoxo” que o Governo tenha como prioridade na sua agenda política a reforma laboral.
Governo tem de fazer menos propaganda e governar mais
António Mendonça Mendes assegurou que “o ministro das Finanças não tem nenhuma razão para estar satisfeito com o resultado orçamental, quando as famílias portuguesas pagam muito pelo combustível e, ao contrário do Governo espanhol que baixou os impostos sobre os combustíveis, o Governo português fez apenas uma medida de faz de conta”.
Lamentando o aumento do custo de vida dos portugueses nos combustíveis e nos bens alimentares, o deputado comentou que este é o mesmo Governo que “não consegue garantir a chegada dos apoios às famílias e às empresas vítimas das últimas tempestades”.
“O Governo tem de fazer menos propaganda e governar”, sustentou o socialista, que aconselhou o executivo da AD a responder às necessidades dos portugueses.
“O Governo tem obrigação de pagar às famílias e às empresas os apoios que prometeu e que não chegaram – que eram muito rápidos, mas que ainda não chegaram” – e “tem a obrigação de responder ao aumento do custo de vida”, vincou.
António Mendonça Mendes criticou ainda o Governo por ontem, na Assembleia da República, ter dado a entender “que se a curgete está mais cara, então comprem arroz carolino”, algo que se recuarmos à França de Luís XVI, soa a “Maria Antonieta a dizer que, se não há pão, comam brioche”.