“É altura de exigirmos à AD que se decida”, defendeu José Luís Carneiro, avisando que “se o Governo escolher ventos, terá tempestades”.
Para o Secretário-Geral do PS, o Governo de Luís Montenegro tem que decidir se quer fazer acordos com o Chega ou se prefere “abrir-se a convergências moderadas”, deixando um aviso em relação a uma escolha estrutural para o regime democrático.
“Há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A Democracia não se instrumentaliza. Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não”, avisou.
Afirmando que o PS assumirá plenamente o papel de ser “uma oposição responsável, construtiva e propositiva”, honrando o mandato que os cidadãos lhe conferiram, José Luís Carneiro garantiu também que os socialistas serão intransigentes na rejeição de “uma política que divida os portugueses”, defendendo que a resposta ao populismo e à extrema-direita é trabalhar para “a resolução dos problemas reais das pessoas”.
“Seremos fator de coesão e união. Defenderemos ideias de futuro. Para cada problema específico, trabalharemos para encontrar soluções concretas”, assumiu.
“O Partido Socialista nunca aceitará uma política baseada na divisão e no ressentimento. A nossa política é a política da coesão, da modernidade, da justiça social, da confiança no futuro”, reforçou José Luís Carneiro.
Quatro propostas para responder ao aumento do custo de vida
Dando o exemplo de que é necessário responder aos problemas concretos dos portugueses, o Secretário-Geral do PS avançou com quatro medidas para fazer face aos impactos da guerra no Médio Oriente na vida dos cidadãos, propondo o IVA zero nos bens alimentares essenciais, a redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.
“Não devemos ignorar ou adiar respostas enquanto persistirem os efeitos da guerra”, disse, considerando que as medidas que o Governo da AD tomou são “insuficientes e chegam tarde às pessoas”.
Considerando que esta é uma matéria na qual “o Estado não pode falhar” aos cidadãos, José Luís Carneiro afirmou que as propostas do PS “não colocam em causa a estabilidade orçamental e aliviam os custos da vida das famílias”.
“O PS nunca faltará a Portugal e aos portugueses”, afirmou o Secretário-Geral socialista.

Liderar o futuro
Ainda na sessão de abertura, o presidente da Comissão Organizadora do Congresso, Francisco César, começou por realçar a reunião magna dos socialistas acontece num “tempo exigente” em que “o mundo volta a conhecer a instabilidade” e em que “surgem lideranças que desprezam as instituições, banalizam a inverdade e alimentam o medo”.
Neste contexto, apontou o também presidente dos socialistas açorianos, é imperativo que PS, mais do que nunca, afirme a sua “abertura à sociedade”.
“Como deve fazer qualquer partido que quer liderar o futuro”, reforçou
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo, na qualidade de anfitrião, defendeu que no distrito onde se realizou o Congresso “tem de estar alguma inspiração para fazer o mesmo caminho no país”, vaticinando que o Secretário-Geral do PS, José Luís Carneiro será o “futuro primeiro-ministro”.
O autarca elogiou ainda a proposta do líder do PS para a criação de “contratos territoriais de desenvolvimento”, afirmando que servem para “ultrapassar a inércia que levou” o país a “considerar que interior uma faixa do território de um país que tem pouco mais de 200 quilómetros de largura”.
No mesmo sentido, o presidente da Federação de Viseu do PS, Armando Mourisco, afirmou que a vitória dos socialistas no município nas últimas autárquicas foi o “derrube de um muro” e a “prova de que os viseenses confiam no PS para liderar o seu destino”.
Armando Mourisco considerou que os socialistas se reuniram neste Congresso por acreditarem que “Portugal pode e deve ser um país mais justo, mais solidário e mais ambicioso” e disse a José Luís Carneiro que recebe agora “o testemunho de um partido que está pronto para as batalhas que aí vêm”.
