“É evidente que a demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o Governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade”, disse aos jornalistas o líder socialista, na terça-feira à noite, à chegada à sede do PS, onde decorreu a Comissão Política do partido.
Ainda sobre o pedido de demissão de Maria Lúcia Amaral, conhecido pouco antes, o Secretário-Geral do PS apontou que Luís Montenegro não “pode alienar as suas próprias responsabilidades”.
“O primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil no país é o primeiro-ministro”, referiu.
De acordo com José Luís Carneiro, o problema não está no “acerto na escolha do ministro ou da ministra da Administração Interna”, mas sim no “acerto do Governo”.
“Há um problema de acerto do Governo na resposta às crises, de que esta é apenas a expressão mais recente. Todos temos bem consciência do que foi a gestão do apagão no país, dos incêndios florestais no verão passado, na altura em que sofria o povo português, o partido do Governo estava em festa no Algarve e agora o facto de se ter chegado tarde e a más horas a uma crise, a uma tempestade”, referiu.
“E, portanto, do nosso ponto de vista, o primeiro-ministro deve ter consciência de que não é por substituir a ministra da Administração Interna, ou no outro dia qualquer a ministra da Saúde, que os problemas se resolvem de ‘per se’”, acrescentou o líder socialista, lembrando que vai fazer duas semanas sobre o impacto da tempestade no território nacional e há pessoas que continuam “sem eletricidade, sem água, sem habitação, sem gerador”.
“Ainda hoje me enviaram várias mensagens por saber que amanhã tenho um debate com o primeiro-ministro [que foi, entretanto, reagendado para sexta-feira] para pedir responsabilidades ao Governo na incapacidade de resposta a situações que são incompreensíveis e que exigem uma ação eficaz da parte, desde logo e em primeiro lugar, do primeiro-ministro”, apontou o Secretário-Geral do PS.