A iniciativa foi anunciada pelo secretário nacional para a Organização do partido, Luís Soares, adiantando que a sessão inaugural, que terá lugar na Estufa Fria, em Lisboa, será o pontapé de saída de um amplo processo de participação que prosseguirá nos próximos meses e por todo o território do país.
“Este arranque dos Estados Gerais é a concretização de um objetivo de criar uma grande plataforma de participação política dos cidadãos independentes, de auscultação dos cidadãos independentes, mas sobretudo também de transformação desses contributos em medidas concretas que possam ajudar o PS a construir o seu programa político, que depois, naturalmente, queremos pôr em prática”, sublinhou.
O dirigente socialista lembrou que os primeiros Estados Gerais, quando surgiram, em 1995, pela mão do antigo primeiro-ministro António Guterres, visaram “preparar uma nova maioria”, sublinhando que iniciativa agora lançada pelo Secretário-Geral do PS, José Luís Carneiro, tem como objetivo ouvir o país e “preparar uma alternativa de Governo” para Portugal.
“É uma iniciativa que, não tenho dúvida, contribuirá para afirmar o PS como uma nova alternativa política. E acredito mesmo que, deste trabalho de participação, haverá muitos cidadãos que, não só neste percurso, mas depois, vão ter um papel determinante, como tiveram também pessoas que participaram nos Estados Gerais de 1995”, antecipou.
A mensagem que o PS quer dirigir ao país e aos portugueses, de acordo com Luís Soares, é que o partido “não tem medo de ouvir as pessoas”.
“Pelo contrário, nós achamos mesmo que este processo de auscultação é determinante para que as nossas opções sejam as corretas. Sempre que os partidos e a política se abre à participação dos cidadãos, ela sai reforçada”, observou.
Mais do que uma marca para o PS, o dirigente socialista gostava que a iniciativa “fosse uma marca para o país” e que o processo contrariasse a prática política de que “os cidadãos só contam no momento do voto”.
“Nós queremos que este espaço de participação pudesse continuar para além do ciclo eleitoral. Enquanto plataforma de participação, nós olhamos para estes cidadãos independentes como agentes que podem, mesmo no ciclo de governação, continuar a participar”, apontou.
A iniciativa, com o nome “Contamos todos”, tem origem no modelo criado para recandidatura de José Luís Carneiro a Secretário-Geral do PS, durante a qual ouviu, durante a campanha interna, cerca de 800 cidadãos independentes por todo o país, para além dos militantes.
A partir de hoje, o PS enviará os convites a um conjunto de independentes com um “perfil muito heterogéneo” e representativo de várias gerações e setores da sociedade, mas deixa a porta aberta a todos os cidadãos que se queiram juntar.
Sobre o arranque da iniciativa, Luís Soares explicou que na véspera do lançamento, no dia 13, vai haver uma “sessão de aquecimento” sobre os desafios da democracia contemporânea, que contará com três personalidades da área da Ciência Política.
Para dia 14, um dos principais destaques do programa será a realização de 20 mesas participativas, cada uma com 20 pessoas e com um tema diferente para discussão.
“A ideia é que, nessas mesas participativas, os cidadãos que delas participem, discutam um caso prático que vai ser disponibilizado antecipadamente e que possam, partindo desse método de estudo do caso, propor e consensualizar medidas de opção política para a construção do programa eleitoral”, explicou.
O objetivo do PS é que “esta plataforma seja um modelo de participação que depois possa ser replicado noutros espaços da vida coletiva”, vincou o dirigente socialista.