Falando aos jornalistas desde a sede nacional do PS, em Lisboa, o presidente do Grupo Parlamentar socialista traçou um retrato severo e factual da situação do país, deplorando não só o recorrente incumprimento de promessas por parte do executivo de direita, mas também o agravamento das condições de vida das pessoas, resultado de uma governação alheada dos problemas concretos da população.
“As promessas não só não foram cumpridas como, sectorialmente, em diversas áreas, o Governo falhou de forma rotunda”, apontou Eurico Brilhante Dias, que, numa análise detalhada, destacou áreas essenciais onde a realidade contraria o discurso oficial do executivo chefiado por Luís Montenegro.
Na saúde, destacou o dirigente do PS, “o cenário é particularmente preocupante”.
“Há mais pessoas sem médico de família e as listas de espera para consultas e cirurgias não param de aumentar”, referiu, alertando ainda para situações limite, como o facto de “mais crianças nascerem à beira da estrada por falta de resposta hospitalar”.
Outro diagnóstico de agravamento contínuo verifica-se também na habitação, avisou o líder da bancada socialista, ao afirmar que o setor “vive uma crise sem precedentes”.
“Batem-se todos os recordes de preço, tanto no mercado de compra como no arrendamento, tornando o acesso a uma casa cada vez mais difícil”, lamentou, sublinhando que esta realidade afasta cada vez mais famílias do direito a uma habitação digna.
Quanto ao custo de vida, Brilhante Dias fez notar que “o preço do cabaz alimentar bate recordes históricos”, refletindo “o agravamento do custo de vida e a pressão financeira crescente sobre as famílias portuguesas”.
Tudo isto, pontualizou, demonstra de forma clara o aumento da pressão sobre a vida quotidiana dos portugueses.
Perante este quadro, o socialista foi direto na avaliação política: “É um mau Governo, governa mal e, ao fim de dois anos, o país, a vida das pessoas, está pior”.
Depois, voltou a acusar o executivo de Montenegro de estar desligado da realidade.
“O Governo hoje mostrou mais uma vez que está centrado na propaganda e alheado do país real. Um país que ao fim de dois anos está pior em quase todos os setores da sua vida”, enfatizou, reforçando a crítica: “a propaganda não apaga o mau Governo”.
Brilhante Dias criticou igualmente a postura do primeiro-ministro perante os jornalistas, lamentando a ausência de respostas.
A recente declaração de Luís Montenegro foi, vincou, “mais uma vez” feita sem espaço para questões.
“Um responsável político responde a perguntas, por muito incómodas que sejam. Mas eu percebo: como quis pintar um quadro cor-de-rosa, na verdade, as perguntas iriam revelar, evidentemente, que, afinal, o país não está como o quadro pintado”, atirou, acusando o chefe do Governo de preferir “fazer comunicações e não responder a perguntas”.
Socialistas confiantes num acordo “satisfatório” para o TC
No plano institucional, Eurico Brilhante Dias admitiu que mantém a expectativa de alcançar um acordo para a lista de juízes a eleger pela Assembleia da República para o Tribunal Constitucional, sublinhando que o PS está preparado para o processo e que as negociações “não terminaram completamente”.
Na conferência de imprensa que decorreu no Palácio Praia, o dirigente socialista destacou ainda que o partido já selecionou um conjunto de nomes para os órgãos externos, assegurando que “há uma questão em torno do Tribunal Constitucional que os socialistas procuraremos acertar” e reiterando continuar “esperançoso no acordo”.
Recorde-se que o processo de eleição para o TC ganhou novo impulso com a decisão do presidente da Assembleia da República de estender até amanhã, terça-feira, o prazo para entrega das listas, uma medida que, segundo o próprio Aguiar-Branco, se prende com a tolerância de ponto associada à Páscoa.
Este adiamento, sinalizou Brilhante Dias, pode ser determinante para “concluir de forma satisfatória” o processo em causa.
As eleições para os órgãos externos mantêm-se agendadas para 16 de abril, após sucessivos adiamentos provocados pelo impasse em torno do Tribunal Constitucional.
Num contexto político exigente, o PS procura assim conciliar uma oposição firme ao Governo com a responsabilidade institucional de assegurar consensos em matérias estruturais do regime democrático.