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Voto de confiança no PS pelo futuro da Madeira

Voto de confiança no PS pelo futuro da Madeira

Apostado em liderar a tão aguardada alternância de poder na Madeira, Paulo Cafôfo pede ao eleitorado para dar, nas urnas, “a oportunidade ao PS de construir um governo e uma solução duradora” na Região, avisando que a estabilidade só será recuperada com o voto concentrado na candidatura socialista às legislativas regionais antecipadas do próximo domingo.

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De volta às ruas do Funchal, esta sexta-feira, para as últimas ações de campanha antes do sufrágio de domingo, o candidato do PS à presidência do governo regional pediu aos madeirenses e porto-santenses “um voto de confiança na proposta socialista”, garantindo que saberá ouvir e agir de acordo com a vontade popular.

Convicto de que vai liderar uma solução governativa, Cafôfo disse encarar com espírito democrático a ausência de uma maioria absoluta para governar, insistindo na necessidade de construir uma plataforma de entendimento com outros partidos, nomeadamente com o movimento político de origem madeirense Juntos Pelo Povo (JPP).

“O primeiro partido que vou contactar será o JPP”, adiantou, considerando que o partido chefiado por Élvio Sousa será o segundo mais votado a 23 de março e, “se assim for, obviamente irei seguir essa vontade popular”, declarou.

O candidato e presidente do PS/Madeira, o maior partido da oposição madeirense, percorreu novamente a Rua Fernão de Ornelas, uma das mais movimentadas do Funchal, ouvindo anseios, opiniões, distribuindo panfletos do partido e pedindo a confiança dos eleitores.

Ao reivindicar que o PS está nas melhores condições de liderar uma solução de governo, Paulo Cafôfo lembrou a forma responsável com que os socialistas têm agido na primeira linha da oposição a um poder hegemónico de quase meio século.

“Por essa razão, acredito que vamos liderar uma solução governativa no domingo”, vincou, excluindo o PSD/Madeira e – “como é lógico” – o Chega de um entendimento pós-eleitoral.

Afirmando-se empenhado em trabalhar com “partidos democráticos que queiram fazer a mudança na região”, Cafôfo voltou a pedir a convergência de votos no PS.

“Não desperdicemos os votos, concentremo-los no Partido Socialista, que essa é a única forma de nada continuar igual”, apelou, frisando ser urgente acabar com o “clima de medo” que alimenta o PSD, um desígnio para o qual convocou indecisos e descontentes.

“Aqueles que acham que a Madeira não pode continuar igual, precisam de votar diferente”, avisou acrescentando ser chegada a “hora de convergir o voto no Partido Socialista”.

Acabar com o jogo sujo do PSD

Entretanto, durante uma iniciativa de contacto com a população, Cafôfo revelou aos jornalistas ter conhecimento recente de que uma queixa anónima contra si, sobre “tudo e mais alguma coisa”, deu entrada no Ministério Público na quarta-feira.

O candidato do PS disse ter a certeza de que os social-democratas são responsáveis pela denúncia, sublinhando que “os madeirenses sabem que denúncia anónima é só um ato de desespero e cobardia por parte do PSD”.

Paulo Cafôfo assegurou que não se vai deixar intimidar.

“Estou ao lado dos madeirenses e os madeirenses podem confiar em mim que esta era do jogo sujo, das represálias, da chantagem, com o PS vai acabar e vai acabar já no próximo domingo”, rematou.

Crónica de outra eleição antecipada

As regionais antecipadas da Madeira, as terceiras em cerca de ano e meio, decorrem com 14 candidaturas a disputar os 47 lugares na Assembleia Legislativa regional, num círculo único: CDU (PCP/PEV), PSD, Livre, JPP, Nova Direita, PAN, Força Madeira (PTP/MPT/RIR), PS, IL, PPM, BE, Chega, ADN e CDS-PP.

Este novo sufrágio ocorre apenas dez meses após o anterior, na sequência da aprovação de uma moção de censura ao executivo liderado por Miguel Albuquerque (PSD) – justificada com as investigações judiciais envolvendo vários governantes regionais em exercício, inclusive o presidente –, e da dissolução da Assembleia Legislativa pelo Presidente da República.

O Parlamento da Madeira é atualmente, composto por 47 deputados: PSD 19 eleitos, o PS 11, o JPP nove, o Chega três e o CDS-PP dois. PAN e IL têm um assento cada e há ainda uma deputada independente (ex-Chega).

Após as eleições do ano passado, também antecipadas, o PSD fez um acordo de incidência parlamentar com o CDS-PP, insuficiente, ainda assim, para a maioria absoluta.

PS e JPP chegaram a apresentar uma solução de governo, mas foi rejeitada pelo representante da República, Ireneu Barreto.

Miguel Albuquerque, sucessor de Alberto João Jardim, governa desde 2015, quando conseguiu garantir pela única vez uma maioria absoluta (24 assentos) apenas com os resultados eleitorais.

Em 2019, para garantir essa meta detida pelos sociais-democratas desde 1976 foi necessário formar um governo de coligação com o CDS e, nas regionais seguintes, em 2023, com os dois partidos a concorrer juntos, só um acordo de incidência parlamentar com o PAN permitiu segurar a vantagem.

Foi a retirada de confiança política do PAN que obrigou Albuquerque a demitir-se, no início de 2024, após ser conhecida a sua condição de arguido num processo sobre corrupção. Em maio, ganhou novamente, mas nem um acordo com o CDS foi suficiente para a maioria absoluta.

Nas legislativas regionais, o representante da República, cargo ocupado por Ireneu Barreto, convida uma força política a formar governo em função dos resultados, após a auscultação dos partidos com assento parlamentar.

Este domingo, 23 de março, uma mudança inédita no panorama político da Madeira estará nas mãos dos 255 mil eleitores inscritos para votar, de acordo com os dados do recenseamento da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.

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