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António Costa quer concertar posições sobre agenda comum de governação na Europa

António Costa quer concertar posições sobre agenda comum de governação na Europa

O primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, traçou ontem como grande prioridade para o novo quadro europeu a eleição de Frans Timmermans para a presidência da Comissão Europeia, considerando o socialista holandês como o candidato mais capacitado para reunir consenso alargado, a par da definição de um programa comum de governação europeia para os próximos cinco anos.
António Costa quer concertar posições sobre agenda comum de governação na Europa

Em entrevista à SIC, um dia após as eleições europeias de domingo, António Costa foi claro em estabelecer as diferenças entre os dois candidatos à liderança da Comissão Europeia.

“Manifestamente, acho que o candidato do PPE, Manfred Weber, não tem condições, até porque tem uma rejeição quase absoluta no Conselho. E no Parlamento Europeu também é, de todos os candidatos, o que gera maior hostilidade”, referiu. 

António Costa sustentou que candidato dos socialistas europeus, Frans Timmermans, em contrapartida, “tem várias qualidades que o ajudam a que possa ser um bom candidato de consenso”, mantendo “uma boa relação com todas as outras famílias políticas”, sendo ainda, como acrescentou, um político que tem vindo a desempenhar “um papel fundamental na defesa dos valores europeus, relativamente aos avanços da extrema-direita”.

O futuro das instituições europeias e o futuro programa da Comissão para os próximos cinco anos começam a ser definidos esta terça-feira, em Bruxelas, onde António Costa manterá um encontro com o Presidente francês, Emmanuel Macron, e com os seus homólogos de Espanha, Pedro Sánchez, da Bélgica, Charles Michel, e da Holanda, Mark Rutte, seguindo-se uma reunião entre os líderes dos partidos socialistas europeus. Depois, o primeiro-ministro português participará num encontro com todos os chefes de Estado e de Governo da União Europeia, convocado pelo atual presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, dando início ao processo de nomeações das chefias das instituições europeias. 

Lembrando que, em resultado das eleições europeias de domingo, nenhuma família política tem uma maioria, quer no Conselho Europeu, quer no Parlamento Europeu (PE), António Costa acentuou a necessidade de “concertação de posições”.

“A solução que se tem de encontrar no Conselho tem de ser compatível com a solução no PE”, referiu, lembrando que no novo quadro parlamentar de Bruxelas os Verdes “terão uma posição muito relevante. 

“Trata-se de um novo quadro que possibilita novas soluções”, assinalou o chefe do Governo português, recordando que ao longo dos últimos anos sido possível alcançar maiorias com geometrias bastante variáveis, dando o exemplo da reforma da zona euro, “uma matéria crucial” sobre a qual Portugal e França têm vindo a alinhar uma posição comum. “Isso tem permitido avanços, designadamente com os alemães ou com os holandeses”, acrescentou.

Mas para o líder socialista, “tão ou mais importante que os lugares, é haver um entendimento sobre um programa comum”.

“E temos vindo a conseguir convergir para uma agenda comum, em que as alterações climáticas, o desenvolvimento do pilar social ou a reforma da zona euro tenham uma importância muito grande”, afirmou.

O projeto europeu exige o reforço da cidadania

António Costa referiu-se ainda, na entrevista, à necessidade de construir uma maior ligação entre os cidadãos e as instituições europeias, combatendo um défice de participação que foi ainda muito visível na elevada taxa de abstenção nas eleições de domingo. 

Para o primeiro-ministro, é fundamental contrariar a ideia de que aquilo que é decidido na Europa, e que tem cada vez maior impacto na vida de todos, “não e nada connosco” e apenas diz respeito ao governo do eixo franco-alemão ou às instituições de Bruxelas. E este é um trabalho que não pode ser feito apenas a cada cinco anos, durante a campanha eleitoral, mas todos os dias e com o contributo responsável de todos os atores, dos políticos aos órgãos de comunicação social.

“Temos de fazer seguramente mais, porque o projeto europeu exige o reforço da cidadania. As pessoas têm de se sentir envolvidas na União Europeia. Essa consciência e essa informação é algo que temos de ir afirmando – todos”, disse o líder do Governo. 

“Quanto maior for o grau de informação dos cidadãos, maior será a participação dos cidadãos”, concluiu.