fbpx

Portugal apela a posição coordenada da UE sobre vacina AstraZeneca


O primeiro-ministro, António Costa defendeu ontem que todos os Estados-membros da União Europeia devem respeitar as decisões da Agência Europeia do Medicamento (EMA), relativamente à vacina da AstraZeneca, assumindo uma posição coordenada.

“Eu bem sei que as pessoas acham que os primeiros ministros têm que saber tudo e decidir sobre tudo. Eu, infelizmente, não sou especialista em vacinas e não tomo decisões que cabem aos técnicos tomar”, afirmou António Costa, à margem da inauguração de um equipamento escolar em Vila Real, quando questionado sobre as dúvidas técnicas que têm sido levantadas pelo regulador europeu em torno da vacina da farmacêutica.

Recorde-se que a EMA concluiu na quarta-feira que existe uma “possível relação” entre a vacina contra a Covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de “casos muito raros” de coágulos sanguíneos, mas insistiu que o risco-benefício global do fármaco “permanece positivo”.

“Sempre disse e é o apelo que temos feito que as autoridades nacionais, todos os Estados membros da União Europeia devem respeitar as decisões da EMA e evitar tomar decisões unilaterais”, frisou o primeiro-ministro português.

Neste sentido, António Costa disse ser “fundamental que ao nível da União Europeia, ao menos, haja uma atuação coordenada” porque já se ouviram “as mais diferentes sugestões de recomendações”.

“A EMA, onde participam todos os estados membros procedeu a uma revisão, mais uma vez da vacina, tomou as conclusões que já são públicas, há agora uma reunião dos ministros da Saúde de forma a que tenhamos uma posição coordenada ao nível de todos os estados membros e não haja uma indefinição e cada um a decidir por si, porque isso é um fator, naturalmente, de desconfiança e de insegurança, para todos nós”, salientou.

No mesmo sentido, a presidência portuguesa da União Europeia pediu também, em comunicado, uma “posição o mais coordenada possível entre os 27 Estados-membros, advertindo que “decisões individuais” relativamente ao uso da vacina “afetam todos”.

Após a reunião virtual dos ministros europeus da Saúde, convocada de emergência e presidida pela ministra portuguesa Marta Temido, “a Comissão Europeia e a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia apelaram a todos os Estados-membros para que procurem uma posição o mais coordenada possível na UE”.

“Esta é uma decisão técnica, não uma decisão política. Devemos continuar a seguir a melhor informação científica disponibilizada pela EMA nos seus pareceres”, adianta Marta Temido na declaração divulgada à imprensa no final da reunião, insistindo na importância de uma posição comum.

O comunicado conjunto dá ainda nota de que, “estando os planos de vacinação nos Estados-membros numa fase crucial da sua concretização, os ministros assumiram o compromisso de prosseguir com prioridade a discussão de matérias relacionadas com todo o processo europeu e o seu planeamento futuro”.