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Fazer o que deve ser feito


A presidente da Comissão Europeia (CE) e António Costa apresentaram, em Lisboa, as prioridades dos Planos de Recuperação e Resiliência Europeu e Português. No seu jeito simples e assertivo, a líder europeia não hesitou em afirmar que o programa português de relançamento da economia “espelha as ambições e as prioridades” das novas gerações europeias.

Ursula Von der Leyen chegou, falou e cativou. Cativou pelo que disse e pela forma como disse. Elogiou Portugal, que tem demonstrado em toda esta crise “o melhor de si e o melhor da Europa”. Citou Camões, e bem, mas poderia ter citado Pessoa, para quem o rosto da Europa é Portugal. Não regateou elogios ao Governo português, justificando que Portugal, pelo percurso dos últimos anos, está mais bem posicionado para “tirar o máximo” do fundo de recuperação europeu. E não se esqueceu de agradecer a António Costa “pelo seu apoio na mediação deste acordo histórico em julho”.

Ao contrário do que disse a presidente da CE, alguns comentadores caseiros olham de alto o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e veem muitas sombras, algumas boas intenções e poucas ideias, agourando maus investimentos, desperdícios e oportunidades perdidas. Desconheço em que texto os vates de serviço recolheram tão distorcida visão. Se os move uma genuína preocupação com a boa aplicação dos fundos, terão certamente participado no debate público e pertencerão ao vasto grupo dos proponentes das mais de mil sugestões apresentadas durante o período de consulta pública a que foi submetido o documento elaborado pelo Prof. António Costa Silva. Sabemos que a falácia medra e faz caminho nestes perigosos tempos em que a desinformação e a falsidade são mais facilmente aceites e difundidas que a notícia e a verdade. Como aquela, tantas vezes repetida, de que Portugal não tem aproveitado bem os fundos europeus. Concedo que nem sempre os aproveitou da melhor maneira, mas basta um olhar retrospetivo para percebermos a (r)evolução do país alicerçada nos fundos comunitários. Com eles melhorou-se a rede viária nacional, encurtando distâncias e promovendo a coesão territorial; construíram-se escolas, hospitais e equipamentos culturais e sociais; modernizaram-se setores tradicionais como a agricultura, o têxtil e o calçado; desenvolveu-se a ciência, a investigação, as tecnologias, a inovação e o empreendedorismo.

É preciso que o PRR seja rapidamente aprovado e que o dinheiro chegue onde faz falta: às empresas que apresentem projetos de interesse nacional e criem emprego; aos serviços públicos, designadamente, de saúde e transportes; aos projetos relacionados com a transição digital e climática; ao investimento reprodutivo para estimular a economia e o emprego, garantir a coesão territorial e social e promover a inovação e a modernização do país.

As prioridades estão definidas e visam responder “a três dimensões fundamentais: enfrentar as maiores vulnerabilidades sociais do país, aumentar o potencial de crescimento e reforçar a competitividade e a coesão territorial”. Vamos aproveitar esta oportunidade irrepetível de fazer o que deve ser feito. Com os 15,3 mil milhões de euros de subvenções (2,5 mil M por ano), vamos construir e legar às novas gerações um futuro mais verde, mais inteligente e inclusivo.

Parece impossível? Não é. Acredite em Mandela que sabe do que fala: “parece sempre impossível até estar feito”.