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Circulação dos comboios na AML está a fazer-se em segurança e com taxa de ocupação bastante inferior a 50%


Não há “nenhum dado objetivo” que evidencie uma responsabilidade dos transportes públicos na “propagação da Covid-19”, defendeu o ministro das Infraestruturas e da Habitação, garantindo que a maioria dos comboios que circulam nas horas de ponta na Área Metropolitana de Lisboa (AML) têm uma ocupação “abaixo dos 50%” da sua lotação.

Para o ministro Pedro Nuno Santos, por muito que se queira fazer crer que os comboios que circulam na AML andam sobrelotados a verdade, como garante o responsável governamental com a tutela dos transportes, é que a lotação dos comboios “anda em média com uma ocupação muito abaixo do 1/3”, havendo “poucas exceções onde as composições têm ocupações perto ou superiores aos 2/3”.

Isto não invalida, contudo, como também referiu o governante em declarações aos jornalistas, que não possa haver “pontualmente” um ou outro comboio que circule no limite dos 2/3 da sua capacidade ou “mesmo um pouco acima”, não sendo para o ministro Pedro Nuno Santos este o cenário preponderante que se verifica nos comboios que circulam na Área Metropolitana de Lisboa.

Assumir uma atitude crítica sem propor qualquer medida que seja exequível, não é para o governante que tutela a empresa Comboios de Portugal (CP), uma atitude que possa contribuir de forma séria para uma análise sustentada da gestão dos transportes públicos ou ajudar a encontrar os mecanismos mais adequados no combate à propagação da Covid-19, inclusive para resolver a eventual “lotação excessiva” ou o “número de trabalhadores infetados”.

Segundo o ministro, a única forma de lidar com esta questão dos transportes públicos na AML “é trabalhar com a realidade dos factos” e não com falta de rigor, revelando que em 662 comboios que circulam nesta região por dia, “só meia dúzia” é que atingem uma lotação de 2/3, pelo que “não existe qualquer problema de sobrelotação”.

Quando à proposta para que se aumente o número de composições em circulação, Pedro Nuno Santos lembrou que a CP “não tem qualquer capacidade” para o fazer neste momento, adiantando que para já o que está em cima da mesa é a eventual alteração dos horários, o que permitirá reforçar “marginalmente” a capacidade dos comboios nesta região.

O ministro voltou a mencionar que desde o início do desconfinamento, nos primeiros dias de maio, que a CP disponibilizou “100% da oferta disponível” na AML, garantindo que neste momento não só “não há mais comboios para acrescentar” aos que estão a circular, como também as infraestruturas estão no limite da sua capacidade, um cenário que só poderá ser alterado “quando se fizer investimentos de fundo na Linha de Sintra”.

Baixar riscos e observar regras

Quanto à criação das condições mínimas para que se consiga diminuir de forma significativa o risco de contágio, o titular da pasta das Infraestruturas lembra que o Governo determinou, entre outras medidas, a utilização obrigatória de máscaras, enaltecendo também o esforço que a CP tem vindo a fazer na “higienização dos comboios” como uma das respostas necessárias de combate ao contágio da pandemia, referindo que apesar de não haver um problema de sobrelotação nos comboios na AML, isso não quer dizer que este meio de transporte público “não seja também um foco de preocupação para quem os utiliza todos os dias”. Uma preocupação, como assinalou, que é aliás de “todos os países europeus e em todas as capitais europeias”, não sendo apenas “uma questão portuguesa”.

“Mas a verdade é que, também, na maioria das capitais europeias nem sequer foi adotada nenhuma limitação à lotação, primeiro, porque o controlo da lotação nos comboios urbanos é muito difícil de controlar, depois, porque os transportes urbanos são fundamentais para que as pessoas possam trabalhar”, apontou o governante, acrescentando que em qualquer caso “ é preciso que todos cumpram as regras”, inclusive a “utilização de máscara e a desinfeção diária dos comboios”.