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Quem melhor que Centeno?


Há alguém melhor que Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal (BdP? A avaliar pelo que leio e ouço, não há. Ele é reconhecidamente o mais qualificado para o cargo.

Mesmo os que alegam um hipotético “conflito de interesses” e os que querem aprovar à pressa, na Assembleia da República (AR), uma lei “ad hominem”, inaceitável num Estado de direito, para impedir a sua nomeação, não lhe beliscam o curriculum académico nem as qualificações para o desempenho da função. O “pecado” de Centeno é ter sido ministro das Finanças. O coro dos “puros” aceitou mudo e quedo que Carlos Costa transitasse da banca regulada para o banco regulador e que o governo de Passos Coelho lhe tivesse renovado o mandato, apesar da contestação pública, pouco antes das eleições legislativas.

Ser governante ou político não é estigma. Pretender retirar direitos constitucionais a alguém pelo facto de ter sido ministro não é aceitável em democracia. Conflito de interesses?! Ao contrário do atual governador, que foi administrador do BCP e da CGD, o ex-ministro nunca teve ligações à banca privada. A sua carreira profissional, antes da experiência política, decorreu precisamente no Banco de Portugal.

Mário Centeno foi um dos melhores ministros das Finanças. Esta é a opinião da generalidade das pessoas que pensam para além dos seus bloqueios ideológicos e dos interesses imediatos e mesquinhos. Era consultor da administração do BdP para projetos especiais quando António Costa o convidou para coordenar o grupo dos doze “sábios” que elaboraram o cenário macroeconómico que o PS apresentou nas eleições de 2015. Com a estratégia então delineada, foi trilhado um caminho alternativo à política de austeridade do governo PSD/CDS, que permitiu repor salários, pensões e rendimentos, ter crescimento económico acima da média europeia, criar emprego, reduzir o défice e a dívida pública e conseguir o feito singular de fechar 2019 com um excedente orçamental, que muito jeito deu para combater a crise sanitária.

Aos que gostariam de transferir para o Parlamento a nomeação do governador do Banco Central, com o argumento falacioso de maior independência, lembro (só eu sei quanto me custa relembrá-lo) os muitos e recentes impasses na eleição de órgãos externos à AR, de que o processo de eleição do Conselho Regulador da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) é o pior exemplo. O impasse durou mais de um ano e o resultado não foi bom.

Na Europa é reconhecido o bom trabalho do ministro português à frente do Eurogrupo. O próprio ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, sempre pronto a criticar e pouco a elogiar, se rendeu ao mérito de Centeno, a quem apelidou de “Ronaldo” das Finanças. Se Mário Centeno quisesse continuar a liderar o Eurogrupo, seria reeleito. Prefere continuar a servir Portugal, agradeço-lhe por isso. Estou convicta de que a maioria dos portugueses e das portuguesas me acompanham neste agradecimento.

Partilho as perplexidades de quem pergunta: Se querem o melhor para o nosso país, porquê o afã persecutório em relação a quem deu sobejas provas de competência e independência? Será por receio de que, com Centeno, o Banco de Portugal leve a sério as suas funções de regulação e supervisão e se descubram “cadáveres no armário”?

Edite Estrela