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ENTREVISTA: SNS/40 anos: Sistema é âncora para os portugueses e sabe resistir às pressões


 A ministra da Saúde, Marta Temido, entende que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) se tornou, ao longo de 40 anos, um valor seguro e uma âncora para os portugueses e que, apesar das dificuldades, é resistente às pressões.

“O fim do Serviço Nacional de Saúde é uma impossibilidade constitucional”, afirma a ministra da Saúde em entrevista à agência Lusa, indicando que vê o SNS como um serviço público “resistente às dificuldades e às pressões”, funcionando como “um valor seguro” na vida dos portugueses.

No dia em que se assinala o 40.ª aniversário do SNS, Marta Temido afirma que o serviço público de saúde “soube ganhar a simpatia e a confiança dos portugueses”.

“Hoje é claro que o SNS pode sofrer modificações, que pretendemos que nunca afetem os seus princípios essenciais, mas não pode ser posto em causa, a menos por alteração constitucional. Coisa diferente é a sua eventual descaracterização, que é muito mais subtil, insidiosa e muito mais preocupante. É contra isso que temos de trabalhar”, declara.

Um dos desafios, refere a ministra, é manter a cobertura populacional e dá como exemplo o “elevado número” de população estrangeira ou não residente que tem procurado cobertura nos cuidados de saúde primários.

“Temos um número significativo de estrangeiros à procura de médico de família, é um desafio acrescido. Mas o SNS está cá para garantir cuidados a todos. Isso é uma forma de preservar a essência do SNS”, refere, sublinhando que o “SNS é para todos” e que a saúde individual, além de um direito humano, é uma questão que afeta também a saúde coletiva.

Atualmente há cerca de 600 mil pessoas sem médico de família. Segundo a ministra, 98% dos portugueses têm médico atribuído, mas são 94% os inscritos nos centros de saúde sem médico, uma diferença que está ligada precisamente aos cidadãos estrangeiros que têm procurado os serviços de saúde.

Quatro décadas depois, Marta Temido recorda que as exigências feitas ao SNS mudaram também pelo contexto demográfico e pelo tipo de patologias, com maior carga de doença crónica.

Além disso, também as expectativas das pessoas se alteraram: “os cidadãos tornaram-se mais exigentes e informados e isso traz pressão para a capacidade de resposta e para as respostas em termos de tempo e de qualidade, que é muito distinta da que era há 40 anos”.

Utilizadora e defensora do serviço público de Saúde, a ministra Marta Temido entende o SNS como sinónimo de democracia e como “um dos melhores garantes de uma sociedade mais justa, mais coesa e progressista”.

O 40.ª aniversário do SNS acontece a poucas semanas as eleições legislativas, o que para a ministra da Saúde justifica que não seja realizada uma comemoração “mais marcante ou festiva”.

Contudo, indica que durante o ano várias unidades de saúde e instituições têm tido eventos que assinalaram os 40 anos do SNS, que vai ser também comemorado com o lançamento de um livro e de um selo comemorativo.

“O mais importante deste ano foi a coincidência entre os 40 anos e aprovação de uma nova Lei de Bases da Saúde (…) Foi uma coincidência feliz, não apenas pela Lei de Bases como está em Diário da República, mas por aquilo que agora importa fazer para a desenvolver e que será muito trabalho para um novo Governo, para por exemplo a regulamentação da dedicação plena [dos profissionais], pelas parcerias e pela relação público-privado”, afirma na entrevista à Lusa.

Governo quer alargar hospitalização domiciliária a todos os hospitais 

O Governo quer alargar a hospitalização domiciliária a todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), anunciou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Atualmente existem cerca de 20 hospitais com esta resposta, que permite aos doentes que estariam internados recuperar em casa de uma doença aguda, recebendo cuidados hospitalares.

Em entrevista à agência Lusa a propósito dos 40 anos do SNS, que hoje se assinalam, Marta Temido avançou que o objetivo é que todos os hospitais do sistema, perto de meia centena, tenham “a hospitalização domiciliária como resposta na sua carteira de serviços”.

Segundo a ministra, há hospitais de “grande dimensão”, como o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, que ainda não têm este projeto, que teve como hospital pioneiro o Garcia de Orta, em Almada.

Marta Temido explicou que no caso dos hospitais psiquiátricos e de reabilitação “o modelo poderá ter necessidade de adaptação”.

Será também estudado o alargamento do número de camas no domicílio em “função das necessidades dos doentes”. “É algo que temos que ir gerindo”, disse Marta Temido, que assumiu a pasta da Saúde há quase um ano, substituindo no cargo Adalberto Campos Fernandes.

Sobre a aceitação desta medida por parte dos doentes, a ministra afirmou que tem sido de “enorme satisfação”.

“Aquilo que temos ainda de uma forma empírica, e não resultado de um período de avaliação medido em inquéritos de satisfação, são reportes individuais que revelam uma enorme satisfação”, sublinhou.

Por outro lado, os profissionais também mostram “uma grande apetência” por entrarem nestes projetos, que são de “alguma forma um estímulo” ao seu trabalho.

“Temos falado muito da necessidade de oferecer estímulos aos profissionais de saúde (…) e estas novas formas de trabalhar são também um estímulo, um desafio à maneira como se relacionam com a profissão, com as equipas e com os próprios doentes”, vincou.

Este modelo, adiantou a ministra, veio romper com o paradigma instituído há 40 anos, que assentava na criação de mais camas nos hospitais.

“As expectativas das pessoas mudaram, os cidadãos tornaram-se mais informados, mais exigentes e naturalmente que isso traz uma pressão para a própria capacidade de resposta e para a forma como temos que responder em termos de tempo, de qualidade que é muito distinta da que existia há 40 anos”, salientou.

Por isso, as respostas são hoje de outro tipo: “Nós queremos manter as pessoas nas suas casas e queremos que o hospital saia de portas para ir a casa das pessoas”, apontou.

A hospitalização domiciliária é exemplo disso. “É como se em poucos meses tivéssemos construído um pequeno hospital com cerca de 100 camas que hoje estão espalhadas na casa de muitos portugueses”, salientou.

Este modelo permite reduzir complicações e infeções hospitalares, além de permitir gerir melhor as camas disponíveis para o tratamento de doentes agudos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Ministra defende melhores compensações para profissionais nas urgências

A ministra da Saúde defende melhores compensações para os profissionais que façam urgência nos hospitais a que pertencem, admitindo que é preocupante ter parte do SNS “muito dependente de prestadores de serviços”.

Em entrevista à agência Lusa a propósito dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que hoje se assinalam, Marta Temido considerou necessário que os profissionais sejam compensados, em termos de penosidade, pelo serviço em urgência e que tenham também incentivos à produtividade na atividade que é programada, como consultas ou cirurgias.

“Há um trabalho de política de recursos humanos que é preciso enfrentar quando um novo ciclo se iniciar. Precisamos de rever os nossos modelos remuneratórios. É preocupante e desencantadora a realidade que temos neste momento, que é termos alguns serviços muito dependentes de prestadores de serviços. Precisamos de reverter esta realidade. Como é que isso se faz? Tornando mais atraente o trabalho em serviço de urgência para os profissionais do mapa de pessoal das instituições”, sugere a ministra da Saúde.

Marta Temido admite que o “volume global de recursos não se vai alterar significativamente” e por isso argumenta que é necessário alocar os recursos de outra forma: “De uma forma que incentive os profissionais a aceitar o trabalho de urgência no seu hospital e incentivando-os a serem mais produtivos e eficientes na atividade programada, como o modelo das unidades de saúde familiar (USF)”.

Além disso, a ministra entende que é preciso garantir que os profissionais que se formam “são atraídos e mantidos dentro do SNS” e não descarta a ideia de que possam vir a ser obrigados a um período de permanência no serviço público.

“Nesta legislatura, a questão já não se pode colocar. Num cenário de médio ou longo prazo é um tema sobre o qual nos temos que nos debruçar. Sentimos que os profissionais que formamos no SNS têm uma enorme apetência por trabalhar noutros sítios ou trabalhar no SNS em prestação de serviços”, refere à Lusa.

Como um dos desafios da próxima equipa governativa, Marta Temido elege a tarefa de “recuperar o orgulho dos profissionais no trabalho no SNS”, sendo necessário “rever os modelos remuneratórios”, por exemplo, compensando melhor o trabalho em serviço de urgência.

“Os profissionais evitam fazer urgência. Como revertemos essa situação sem afetar a atividade programada? Eventualmente, e digo eventualmente porque pertence a um novo executivo, revendo a forma de compensar esse trabalho, associando alguma componente de penosidade”, defendeu.

A ministra considera que a desagregação das carreiras dos vários profissionais do SNS foi um dos motivos que fez o serviço público perder capacidade de atração dos profissionais.

Embora “parte do orgulho dos profissionais” possa ser recuperado com projetos dentro das instituições em que trabalham, Marta Temido argumenta que será sempre preciso rever as formas de remuneração.

Para a ministra, outro dos desafios do SNS é diminuir a disparidade entre a imagem que tem o serviço de saúde e a sua qualidade efetiva.

“Temos uma disparidade entre a qualidade efetiva do SNS e a qualidade que é percebida. Temos de modificar a imagem do SNS, que muitas vezes é uma imagem que se tem contagiado e não corresponde à total experiência dos utilizadores do SNS”. Considerou.

Ministra da Saúde seria deputada com “muito entusiasmo”

A ministra da Saúde encara com “muito entusiasmo” a possibilidade de vir a ser deputada à Assembleia da República e escusa-se a adiantar se estará disponível para integrar um novo Governo.

Em entrevista à agência Lusa a propósito dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que hoje se assinalam, Marta Temido, que encabeça a lista do PS por Coimbra às legislativas de outubro, escusou-se a dizer se estava disponível para continuar como ministra da Saúde, afirmando que o projeto que tem em mãos, juntamente com outras pessoas, é para já o de encabeçar uma lista por um distrito.

“Marta Temido será candidata e deputada à Assembleia da República e o resto a seu tempo se verá”, disse a ministra, que tomou posse a 15 de outubro de 2018, substituindo no cargo Adalberto Campos Fernandes.

Na entrevista, contou que ser deputada era “uma das responsabilidades” que mais a “seduzia” antes de “iniciar uma vida política”.

“Ser deputado da nação em democracia, num país que tem uma democracia relativamente recente, onde eu ainda tenho dos meus familiares mais velhos muitas referências àquilo que não era viver em democracia, é de facto um exercício de responsabilidade”, sublinhou Marta Temido, acrescentando: “Vou procurar exercê-lo com total empenho e com muito entusiasmo”.

“É evidente que integrar um governo é muito importante, mas ser deputada à Assembleia da República é na minha perspetiva igualmente importante e, portanto, há que servir o povo independentemente da responsabilidade que conjunturalmente se tenha”, frisou.

Fazendo um balanço de 11 meses como titular da pasta da Saúde, Marta Temido afirmou que tem sido um “enorme privilégio”, mas também uma “enorme responsabilidade”.

“Não me é possível deixar de a carregar em todos os momentos da minha vida. Isto quando se é ministro, de facto, é-se ministro de dia e noite, a dormir e acordado”, desabafou.

Marta Temido destacou a exigência de um setor como a saúde, onde “não há zonas de não preocupação”.

“Num setor como este há sempre qualquer motivo de preocupação, até porque é um setor onde acontecem muitas coisas extraordinárias. Nascem pessoas, mas também acontecem coisas terríveis e é muito exigente”, frisou.

Marta Temido falou ainda do orgulho de exercer na Administração Pública, assegurando que dificilmente a trocaria pelo setor privado.

“O meu avô materno contava que tinha recebido uma condecoração por ser funcionário público”, recordou, acrescentando que ser funcionária publica, apesar da “desvalorização social que lhe está associada, é uma forma de serviço público”.

Por isso, defendeu: “Ser serviço público no Governo, ser serviço público na Assembleia da República, ser serviço público na minha profissão de administradora hospitalar para mim será sempre serviço público”.

“O que não imagino é trabalhar noutra área que não seja o serviço público. Isso é certo, mas será até uma questão de formação de personalidade”, disse Marta Temido.

A este propósito, revelou que já teve convites para trabalhar no setor privado e que declinou.

“Já tive convites, mas não é a minha maneira de ser. Apesar de tudo, eu acho que a independência que existe no exercício de funções públicas é muitíssimo grande e também a circunstância do meu primeiro dever ser com a população e com o interesse público para mim é muito significativo e não trocava”, rematou.

Sistema é âncora para os portugueses e sabe resistir às pressões

A ministra da Saúde, Marta Temido, entende que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) se tornou, ao longo de 40 anos, um valor seguro e uma âncora para os portugueses e que, apesar das dificuldades, é resistente às pressões.

“O fim do Serviço Nacional de Saúde é uma impossibilidade constitucional”, afirma a ministra da Saúde em entrevista à agência Lusa, indicando que vê o SNS como um serviço público “resistente às dificuldades e às pressões”, funcionando como “um valor seguro” na vida dos portugueses.

No dia em que se assinala o 40.ª aniversário do SNS, Marta Temido afirma que o serviço público de saúde “soube ganhar a simpatia e a confiança dos portugueses”.

“Hoje é claro que o SNS pode sofrer modificações, que pretendemos que nunca afetem os seus princípios essenciais, mas não pode ser posto em causa, a menos por alteração constitucional. Coisa diferente é a sua eventual descaracterização, que é muito mais subtil, insidiosa e muito mais preocupante. É contra isso que temos de trabalhar”, declara.

Um dos desafios, refere a ministra, é manter a cobertura populacional e dá como exemplo o “elevado número” de população estrangeira ou não residente que tem procurado cobertura nos cuidados de saúde primários.

“Temos um número significativo de estrangeiros à procura de médico de família, é um desafio acrescido. Mas o SNS está cá para garantir cuidados a todos. Isso é uma forma de preservar a essência do SNS”, refere, sublinhando que o “SNS é para todos” e que a saúde individual, além de um direito humano, é uma questão que afeta também a saúde coletiva.

Atualmente há cerca de 600 mil pessoas sem médico de família. Segundo a ministra, 98% dos portugueses têm médico atribuído, mas são 94% os inscritos nos centros de saúde sem médico, uma diferença que está ligada precisamente aos cidadãos estrangeiros que têm procurado os serviços de saúde.

Quatro décadas depois, Marta Temido recorda que as exigências feitas ao SNS mudaram também pelo contexto demográfico e pelo tipo de patologias, com maior carga de doença crónica.

Além disso, também as expectativas das pessoas se alteraram: “os cidadãos tornaram-se mais exigentes e informados e isso traz pressão para a capacidade de resposta e para as respostas em termos de tempo e de qualidade, que é muito distinta da que era há 40 anos”.

Utilizadora e defensora do serviço público de Saúde, a ministra Marta Temido entende o SNS como sinónimo de democracia e como “um dos melhores garantes de uma sociedade mais justa, mais coesa e progressista”.

O 40.ª aniversário do SNS acontece a poucas semanas as eleições legislativas, o que para a ministra da Saúde justifica que não seja realizada uma comemoração “mais marcante ou festiva”.

Contudo, indica que durante o ano várias unidades de saúde e instituições têm tido eventos que assinalaram os 40 anos do SNS, que vai ser também comemorado com o lançamento de um livro e de um selo comemorativo.

“O mais importante deste ano foi a coincidência entre os 40 anos e aprovação de uma nova Lei de Bases da Saúde (…) Foi uma coincidência feliz, não apenas pela Lei de Bases como está em Diário da República, mas por aquilo que agora importa fazer para a desenvolver e que será muito trabalho para um novo Governo, para por exemplo a regulamentação da dedicação plena [dos profissionais], pelas parcerias e pela relação público-privado”, afirma na entrevista à Lusa.

Governo quer alargar hospitalização domiciliária a todos os hospitais

O Governo quer alargar a hospitalização domiciliária a todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), anunciou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Atualmente existem cerca de 20 hospitais com esta resposta, que permite aos doentes que estariam internados recuperar em casa de uma doença aguda, recebendo cuidados hospitalares.

Em entrevista à agência Lusa a propósito dos 40 anos do SNS, que hoje se assinalam, Marta Temido avançou que o objetivo é que todos os hospitais do sistema, perto de meia centena, tenham “a hospitalização domiciliária como resposta na sua carteira de serviços”.

Segundo a ministra, há hospitais de “grande dimensão”, como o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, que ainda não têm este projeto, que teve como hospital pioneiro o Garcia de Orta, em Almada.

Marta Temido explicou que no caso dos hospitais psiquiátricos e de reabilitação “o modelo poderá ter necessidade de adaptação”.

Será também estudado o alargamento do número de camas no domicílio em “função das necessidades dos doentes”. “É algo que temos que ir gerindo”, disse Marta Temido, que assumiu a pasta da Saúde há quase um ano, substituindo no cargo Adalberto Campos Fernandes.

Sobre a aceitação desta medida por parte dos doentes, a ministra afirmou que tem sido de “enorme satisfação”.

“Aquilo que temos ainda de uma forma empírica, e não resultado de um período de avaliação medido em inquéritos de satisfação, são reportes individuais que revelam uma enorme satisfação”, sublinhou.

Por outro lado, os profissionais também mostram “uma grande apetência” por entrarem nestes projetos, que são de “alguma forma um estímulo” ao seu trabalho.

“Temos falado muito da necessidade de oferecer estímulos aos profissionais de saúde (…) e estas novas formas de trabalhar são também um estímulo, um desafio à maneira como se relacionam com a profissão, com as equipas e com os próprios doentes”, vincou.

Este modelo, adiantou a ministra, veio romper com o paradigma instituído há 40 anos, que assentava na criação de mais camas nos hospitais.

“As expectativas das pessoas mudaram, os cidadãos tornaram-se mais informados, mais exigentes e naturalmente que isso traz uma pressão para a própria capacidade de resposta e para a forma como temos que responder em termos de tempo, de qualidade que é muito distinta da que existia há 40 anos”, salientou.

Por isso, as respostas são hoje de outro tipo: “Nós queremos manter as pessoas nas suas casas e queremos que o hospital saia de portas para ir a casa das pessoas”, apontou.

A hospitalização domiciliária é exemplo disso. “É como se em poucos meses tivéssemos construído um pequeno hospital com cerca de 100 camas que hoje estão espalhadas na casa de muitos portugueses”, salientou.

Este modelo permite reduzir complicações e infeções hospitalares, além de permitir gerir melhor as camas disponíveis para o tratamento de doentes agudos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Ministra defende melhores compensações para profissionais nas urgências

 A ministra da Saúde defende melhores compensações para os profissionais que façam urgência nos hospitais a que pertencem, admitindo que é preocupante ter parte do SNS “muito dependente de prestadores de serviços”.

Em entrevista à agência Lusa a propósito dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que hoje se assinalam, Marta Temido considerou necessário que os profissionais sejam compensados, em termos de penosidade, pelo serviço em urgência e que tenham também incentivos à produtividade na atividade que é programada, como consultas ou cirurgias.

“Há um trabalho de política de recursos humanos que é preciso enfrentar quando um novo ciclo se iniciar. Precisamos de rever os nossos modelos remuneratórios. É preocupante e desencantadora a realidade que temos neste momento, que é termos alguns serviços muito dependentes de prestadores de serviços. Precisamos de reverter esta realidade. Como é que isso se faz? Tornando mais atraente o trabalho em serviço de urgência para os profissionais do mapa de pessoal das instituições”, sugere a ministra da Saúde.

Marta Temido admite que o “volume global de recursos não se vai alterar significativamente” e por isso argumenta que é necessário alocar os recursos de outra forma: “De uma forma que incentive os profissionais a aceitar o trabalho de urgência no seu hospital e incentivando-os a serem mais produtivos e eficientes na atividade programada, como o modelo das unidades de saúde familiar (USF)”.

Além disso, a ministra entende que é preciso garantir que os profissionais que se formam “são atraídos e mantidos dentro do SNS” e não descarta a ideia de que possam vir a ser obrigados a um período de permanência no serviço público.

“Nesta legislatura, a questão já não se pode colocar. Num cenário de médio ou longo prazo é um tema sobre o qual nos temos que nos debruçar. Sentimos que os profissionais que formamos no SNS têm uma enorme apetência por trabalhar noutros sítios ou trabalhar no SNS em prestação de serviços”, refere à Lusa.

Como um dos desafios da próxima equipa governativa, Marta Temido elege a tarefa de “recuperar o orgulho dos profissionais no trabalho no SNS”, sendo necessário “rever os modelos remuneratórios”, por exemplo, compensando melhor o trabalho em serviço de urgência.

“Os profissionais evitam fazer urgência. Como revertemos essa situação sem afetar a atividade programada? Eventualmente, e digo eventualmente porque pertence a um novo executivo, revendo a forma de compensar esse trabalho, associando alguma componente de penosidade”, defendeu.

A ministra considera que a desagregação das carreiras dos vários profissionais do SNS foi um dos motivos que fez o serviço público perder capacidade de atração dos profissionais.

Embora “parte do orgulho dos profissionais” possa ser recuperado com projetos dentro das instituições em que trabalham, Marta Temido argumenta que será sempre preciso rever as formas de remuneração.

Para a ministra, outro dos desafios do SNS é diminuir a disparidade entre a imagem que tem o serviço de saúde e a sua qualidade efetiva.

“Temos uma disparidade entre a qualidade efetiva do SNS e a qualidade que é percebida. Temos de modificar a imagem do SNS, que muitas vezes é uma imagem que se tem contagiado e não corresponde à total experiência dos utilizadores do SNS”. Considerou.