Opinião: Inovar a pensar nas pessoas


O apoio institucional ao desenvolvimento e lançamento da plataforma de ensino da língua portuguesa denominada “Português mais perto” inscreve-se num amplo objetivo político de inovação tecnológica aplicado à modernização e à eficiência da Administração Pública na sua relação com todas e com todos os cidadãos. Neste caso, trata-se de garantir esse objetivo às portuguesas e aos portugueses que se encontram em mobilidade por todo o Mundo. Foi a pensar nessa relação de proximidade que abrimos o primeiro “Espaço do cidadão” em Paris. E foi também a pensar nos portugueses no Mundo que lançámos uma aplicação para telemóvel integrada com o Gabinete de Emergência Consular. E é também a pensar nesses portugueses no Mundo que estamos a trabalhar para instituir o ato único de inscrição consular que abrirá as portas ao e-consulado, ou “consulado em casa”, em estreita cooperação com a tutela da modernização administrativa.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 2011 e fins de 2014, saíram do país 485 mil portugueses. Destes, 285 mil estiveram fora de Portugal por um período inferior a um ano. Estes números permitem consolidar a ideia segundo a qual existe na atualidade um número crescente de cidadãos cujo mercado laboral deixou de ter uma fronteira estritamente nacional. O seu espaço de trabalho, de investimento e de socialização é mais global. Esta profunda transformação das nossas sociedades resulta naturalmente de um fenómeno de globalização que emerge da integração das sociedades, das culturas e de um amplo movimento de mudança nas condições de transporte e de mobilidade, bem como na celeridade dos fluxos financeiros e de transmissão de dados, de imagens e do próprio conhecimento.

Ora, muitas destas jovens famílias que saíram do país levaram consigo os seus filhos, em muitos casos em idade escolar e já com uma relação de contacto e de aprendizagem da língua portuguesa. Razão pela qual pretendem manter essa relação no país onde temporariamente exercitarão a sua cidadania. Foi a pensar nessas famílias e nos seus filhos que nos associamos à iniciativa de criação de uma plataforma de ensino à distância que disponibiliza o programa de Português do currículo nacional do 1.º ao 12.º anos. Não se trata de uma alternativa à escolaridade nos países onde residem, mas de um complemento que permite conservar o contacto com a língua e a cultura em português.

A plataforma “Português mais perto” serve também as crianças e jovens que sempre estudaram no estrangeiro e cujas famílias valorizam um bom domínio da sua língua de herança, o que servirá para uma melhor aprendizagem das línguas do país de acolhimento. Apesar do esforço para garantir uma rede de ensino que dispõe de 312 docentes e apoia outros 580 distribuídos por vários continentes, os cursos à distância permitem chegar a todos os lugares com uma oferta interativa adequada aos mais jovens.

Sabemos a importância da aposta nas plataformas digitais como recurso didático cada vez mais utilizado. Neste caso, os cursos estão disponíveis na modalidade de autoaprendizagem e a modalidade com tutoria, dispondo em todos os casos de exercícios autocorretivos que estimulam a interação.

Na sua missão de assegurar o ensino do português às comunidades portuguesas e lusodescendentes residentes no estrangeiro, há muito que o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. identificara a necessidade de dispor de uma plataforma de ensino a distância com estas valências. A Porto Editora, com reconhecida experiência neste domínio, entendeu assegurar o investimento necessário à realização do projeto numa parceria com benefício mútuo. Assegurada a construção da plataforma e a disponibilização de conteúdos, cabe ao Camões, I.P. o acompanhamento dos alunos na modalidade de tutoria e a validação dos cursos de Português Língua de Herança.

Trata-se de uma frutuosa colaboração que se espera replicada em outros projetos, nomeadamente na área do ensino à distância, que coloquem a inovação ao serviço das pessoas.

(in Jornal de Notícias)

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