Opinião: Os filhos do Plano Tecnológico


Por estes dias, Lisboa é a capital mundial do empreendedorismo. Na Web Summit 2016, mais de 50 mil pessoas vindas de todo o mundo interagem para vencerem num novo ambiente de negócios. Este filme tem um guionista (Paddy Cosgrave) e muitos atores que, com grande determinação, tornaram possível fazê–lo acontecer em Portugal. E como todos os bons filmes, também tem heróis menos conhecidos. Não sei o nome de todos eles porque são muitos milhares, mas sei quem são. São os filhos do Plano Tecnológico.

Há uma década, os estudantes portugueses tiveram acesso em Portugal a um programa único no mundo. Um programa que fez com que cada estudante tivesse acesso a um computador portátil com banda larga e conteúdos inovadores de aprendizagem. Um programa que se concretizou e levou as novas plataformas tecnológicas a milhões de lares em Portugal. Um programa que envolveu famílias e comunidades e criou um conceito que se internacionalizou. Um programa que mudou o nosso padrão de competências e qualificações.

Hoje, muitos responsáveis empresariais falam-me, embevecidos, da excelência dos jovens que estão a chegar ao mercado de trabalho e aos novos negócios. Ao mercado português e a outros mercados, algumas vezes por opção e outras, infelizmente, por não existirem oportunidades suficientes no nosso território e na nossa economia.

Muitos desses jovens estão agora a chegar ao mercado de trabalho. Têm cursos e pós-graduações de elevada qualidade concluídas nas nossas excelentes escolas superiores ou nas melhores universidades do globo. São jovens poliglotas, de mente aberta e visão cosmopolita, exímios em explorar as novas oportunidades do mercado global. São os filhos do Plano Tecnológico. Sem eles, o nosso país não seria o spot empreendedor que hoje todos reconhecem que é.

Mas os filhos do Plano Tecnológico não são apenas os heróis que tornam possível atrair para Portugal eventos como a Web Summit. Não são apenas os empreendedores em todos os patamares da sociedade, desde a mais sofisticada aplicação digital ao mais marcante espaço gastronómico ou estúdio criativo. São também heróis quotidianos nos nossos hospitais, nas nossas empresas, nas nossas autarquias, nos nossos serviços públicos.

São engenheiros, médicos, enfermeiros, arquitetos, economistas, informáticos, criadores, profissionais de comunicação e tantas coisas mais. São heróis de uma geração altamente qualificada e, quantas vezes, precarizada e obrigada a procurar realização fora da sua terra. Mas são gente que não desiste e em quem o país pode confiar, se souber ser digno da sua confiança.

E como em todos os filmes, também este tem os heróis perdidos. Os que procuram um caminho e ainda não o encontraram. Os explorados por empresários sem escrúpulos. Os dilacerados pela falta de oportunidades. Os desenganados de sucessivas experiências mal conseguidas. São heróis perdidos, mas são heróis.

Os filhos do Plano Tecnológico são uma geração vencedora e Portugal vai conseguir, com eles, continuar a recuperar a sua voz e o seu papel no mundo global. No mundo das redes e dos grandes desafios. No mundo da descoberta e das descobertas. No mundo em que sempre navegámos rumo aos cais dos futuros a haver.