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Somos parte integrante da Europa

Somos parte integrante da Europa

Portugal tem sido desde há 30 anos um parceiro leal e construtivo da União Europeia, lembrou o primeiro-ministro António Costa na cerimónia comemorativa do Dia de Portugal que decorreu na Câmara Municipal de Paris, depois de ouvir o Presidente François Hollande defender que o crescimento económico de Portugal também é do interesse da França.

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Somos parte integrante da Europa

Considerando as palavras do Presidente francês como “naturais”, António Costa lembrou as excelentes relações que os dois países foram capazes de construir, antes e depois da adesão de Portugal à União Europeia, e os muitos amigos que “conseguimos granjear ao longo dos últimos 30 anos de participação na construção europeia”.

O primeiro-ministro mostrou-se satisfeito com a posição assumida por François Hollande quando na sua intervenção defendeu que as regras europeias devem ser respeitada por todos os países “incluindo a França”, mas que em relação a eventuais sanções a aplicar a Portugal por causa do défice excessivo “deve haver flexibilidade” para que o país possa criar mais emprego e aprovar novas medidas que permitam uma “maior progressão social”, ao mesmo tempo que encontra as necessárias condições para “sanear as contas públicas”.

Na sua intervenção o primeiro-ministro português agradeceu a François Hollande a possibilidade de comemorar o Dia de Portugal em França, país onde vivem, como recordou, mais de um milhão de portugueses, fazendo com que Paris seja hoje a segunda cidade com mais portugueses, realçando não ter dúvidas de que este gesto por parte do Governo gaulês resulta em grande medida também do reconhecimento que atribui ao enorme “contributo da comunidade portuguesa em França”.

Quanto às boas relações que mantém com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que também esteve presente nesta cerimónia do dia nacional, António Costa disse que a coabitação em Portugal “faz-se de uma partilha de vontades, mesmo em todos os detalhes”.

Portugal não chegou à Europa há 30 anos

Mais tarde, em La Couture, no norte de França, junto ao monumento de homenagem aos soldados portugueses que combateram na Grande Guerra, o primeiro-ministro referindo-se à participação de Portugal na construção europeia, lembrou que Portugal “não chegou à Europa há 30 anos”, mas que “estamos cá desde a sua fundação”, destacando a propósito o preço que o país pagou pela sua participação na guerra de 1914/18, com todas as consequências que o conflito trouxe, nomeadamente com os elevados níveis de pobreza que se seguiram à guerra, e o preço que teve igualmente que pagar por ter vivido “durante 48 anos” de costas voltadas para a Europa.

António Costa destacou ainda os muitos “sacrifícios” que os portugueses têm feito para ajudar a construir uma Europa mais solidária e com futuro, agradecendo às autoridades francesas por se baterem também por uma Europa que seja cada vez mais uma “terra de liberdade, fraternidade e igualdade” unida e sustentada na “prosperidade para todos os povos”.

Já em Champigny-sur-Marne, uma cidade dos arredores de Paris, o primeiro-ministro dirigiu-se aos emigrantes lesados do BES, para lhes garantir que tudo fará para “criar os mecanismos de diálogo, de negociação e de arbitragem” que permitam a todos aqueles que foram lesados “verem os seus direitos tão satisfeitos quanto possível”, lembrando que não compete ao Governo nem à Presidência da República “substituírem-se à Justiça”.