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Responsáveis por terem deixado “doença do BES” passar para Novo Banco têm de ser responsabilizados

Responsáveis por terem deixado “doença do BES” passar para Novo Banco têm de ser responsabilizados

O vice-presidente da bancada do PS João Paulo Correia considerou esta terça-feira que “a doença” financeira do Banco Espírito Santo (BES) “passou para o Novo Banco” e referiu que a resolução apresentada pelo Governo PSD/CDS e pelo Banco de Portugal foi a “mais deficiente à escala europeia”.

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A auditoria que a Deloitte entregou ao Executivo sobre os atos de gestão dos últimos 18 anos do BES/Novo Banco “diz-nos que a doença do BES passou para o Novo Banco, ao contrário do que tinha sido anunciado e prometido pelo anterior Governo PSD/CDS e pela administração do Banco de Portugal no dia da resolução”, a 3 de agosto de 2014, referiu o socialista em declarações aos jornalistas, no Parlamento.

O Governo de Passos Coelho e a anterior administração do Banco de Portugal, liderada por Carlos Costa, “prometeram ao país que iriam constituir um banco bom, que os ativos tóxicos ficariam no BES e que este Novo Banco ficaria com a matéria positiva do BES”, o que acabou por não acontecer. O Executivo PSD/CDS “não teve coragem de dizer a verdade ao país”, criticou o deputado do PS.

“Esta auditoria diz-nos que as perdas que o Novo Banco tem registado – e que têm motivado injeções de capital por parte do Fundo de Resolução ao longo dos últimos anos – são resultado exatamente destes ativos tóxicos que passaram do balanço do BES para o balanço do Novo Banco. Estamos a falar de créditos que tinham um valor muito acima daquilo que realmente valiam à época”, explicou.

Para João Paulo Correia, o anterior Executivo de direita e o Banco de Portugal “optaram por não reconhecer a totalidade da necessidade de capital para constituir o Novo Banco” por puro “tacticismo”.

“O Partido Socialista, ao longo destes tempos, tem chamado à atenção que o Novo Banco tem sofrido por uma má decisão, que foi a resolução. Uma resolução deficiente, talvez a resolução mais deficiente à escala europeia”, acusou.

O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS recordou que o Novo Banco foi criado com uma capitalização de 4.900 milhões de euros, mas esta auditoria veio confirmar que o valor era “manifestamente insuficiente” para cobrir as imparidades de muitos ativos que deviam ter ficado no BES. “Em vez dos 4,9 mil milhões de euros de capitalização inicial, o Novo Banco precisava de perto de dez mil milhões de euros. Muitos dos ativos não foram reconhecidos à época. As perdas desses ativos têm sido reconhecidas agora”, disse.

Os responsáveis por estas decisões são a administração “à época do Banco de Portugal e o Governo PSD/CDS. O que prometeram ao país não foi aquilo que aconteceu, falharam e têm de ser responsabilizados”, asseverou o socialista.