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Os partidos interessados em garantir a estabilidade devem assumi-lo desde já

Os partidos interessados em garantir a estabilidade devem assumi-lo desde já

O presidente do Partido Socialista, Carlos César, alertou hoje para a importância de os partidos da esquerda assumirem “responsabilidade sobre o futuro, sobre a legislatura e sobre as políticas que terão que ter tradução orçamental” para o país conseguir ultrapassar a crise gerada pela pandemia de Covid-19.

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Os partidos interessados em garantir a estabilidade devem assumi-lo desde já

“Creio que há um conjunto de matérias que se colocam com grande prioridade quer no plano da emergência, quer no plano da estratégia que podem, com esforço, com sentido de responsabilidade e com inteligência, fazer convergir o Partido Socialista com os partidos que têm, nestes últimos anos, vindo a apoiar os orçamentos apresentados pelo Governo”, como “o apoio às empresas e às famílias sem austeridade e sem retrocessos num conjunto de direitos já adquiridos, a resposta às gerações mais novas, o combate à precariedade, as coisas mais simples desde as bolsas de estudo até ao acesso ao digital, as questões que têm a ver com a ação social escolar”, defendeu o socialista.

Carlos César, que falava no programa semanal da rádio TSF ‘Almoços Grátis’, o último da temporada, alertou que “se esses partidos estiverem interessados em garantir a estabilidade, devem dizê-lo depressa, porque nós devemos definir desde já se temos ou não temos legislatura, porque isso é muito importante para consolidar a confiança não só nos atores externos, como nos atores económicos e na população”.

“Estes partidos têm que compreender que precisamos de fazer mais investimento estrutural do que gerar mais despesa estrutural”, frisou o presidente do PS, que acrescentou que, se a resposta dos partidos for negativa, não se chegando a acordo sobre futuros orçamentos, “não havendo orçamento não há razão para haver o mesmo Governo”.

“Nós não estamos preocupados com a avaliação que os portugueses farão dos [partidos] que se mostrarem irresponsáveis, mas estamos preocupados com aquilo que pode acontecer ao país se não tiver a estabilidade necessária”, garantiu.

Carlos César sublinhou que “cada um deve assumir as suas responsabilidades”, sendo que “a parte do Partido Socialista é governar o melhor possível, governar para o futuro sustentável do país e procurar, com sentido de responsabilidade, os aliados necessários tendo em consideração que não tem maioria absoluta para a estabilidade orçamental”.

Para o presidente do Partido Socialista, “o estado da nação é muito o estado em que ficámos com a pandemia, e a crise pandémica gerou uma degradação na generalidade dos indicadores económicos e sociais, introduziu bloqueios e mantém em aberto alertas que não beneficiam a melhoria da situação económica ou a correção em alta do funcionamento social”.

Mas recordou que a economia portuguesa “estava a crescer acima da zona euro e da União Europeia desde 2017”. “O país ficou com a estratégia suspensa em benefício da emergência”, daí a importância de se continuar a “adotar ações que se destinam a tentar salvaguardar as empresas, mantê-las em funcionamento, conservar algum equilíbrio e estabilidade social, que são essenciais para uma estratégia de recuperação futura”.

Carlos César deu depois o exemplo do reforço do Serviço Nacional de Saúde, que desde março já tem mais de quatro mil novos profissionais: “Em boa verdade, a confiança no Serviço Nacional de Saúde será boa parte da confiança que a economia precisa para recuperar”.

Processo de negociação deixou marcas na União Europeia

Relativamente a todo o processo para se tentar um acordo no Conselho Europeu, Carlos César notou que a “cimeira não afastou, pelo contrário, tornou real os fantasmas que afetam hoje a confiança na unidade da União Europeia”.

Ficou “a perceção de que, tendo sido muito difícil alcançar o que foi alcançado, há fragilidades na coesão europeia”, lamentou o dirigente socialista, deixando evidente que “o eixo franco-alemão é hoje o grande referencial positivo da coesão europeia e que outros países, nomeadamente do nordeste europeu, não têm o compromisso europeu necessário”. O que é um “problema grave”.

Criticando a posição dos chamados países frugais nas negociações, Carlos César opôs-se à unanimidade obrigatória necessária para o Conselho Europeu chegar a acordo: “Todo este método de unanimidade e de consenso sobre todas as matérias paralisa, e muito, a situação da União Europeia e isso tem sido evidenciado em muitas áreas”.

“Esta crise deixou pistas para, no futuro, percebermos se vamos ter ou não uma União Europeia numa dimensão que a traduza como um bloco competitivo, como um bloco homogéneo e capaz de ser vencedora no conserto económico mundial”, acrescentou o presidente do Partido Socialista.