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Contaminação do PSD pela extrema-Direita “Não é bom para a democracia”


“Os princípios não se metem na ‘gaveta’, praticam-se mesmo quando são difíceis”, afirma António Costa. O Secretário-geral do PS considera que “não é bom para a democracia” que os social-democratas estejam a ser “contaminados pelas ideias” da extrema-direita.

“Nós, ou temos princípios ou não temos princípios”, começou por referir o Secretário-geral do PS, antes de referir que o líder dos sociais-democratas “apareceu na liderança do PSD como querendo disputar o centro ao PS e agora já está naquela fase de disputar a direita ao Chega”, disse António Costa este domingo durante a entrevista aos jornais DN e JN e à rádio TSF.

O Secretário-geral socialista lembrou que os social-democratas já realizaram um acordo com a extrema-direita nos Açores e o PSD “já importou uma senhora para candidata à Câmara da Amadora”.

António Costa considera que “muito mais perigoso do que o Chega é a contaminação do PSD pelas ideias do Chega. E essa contaminação surge quer no estilo de intervenção política, quer no conjunto de propostas que apresenta, quer nesta incoerência onde se diz tudo o que é popular”, alertou o líder socialista.

O Secretário-geral do PS fez notar, ainda, que os riscos para a democracia dos partidos de “extrema-direita é que se vão infiltrando, não é organicamente, mas vão condicionando politicamente os partidos da direita democrática”.

“Não acho que seja bom para a democracia que o PSD entre nesta deriva de namoro com o Chega e de esbatimento daquilo que são cordões sanitários que têm de existir entre a direita democrática e a extrema-direita. Preferia ter menos votos ao centro e um PSD que se mantivesse no seu lugar de sempre, na direita democrática, do que esta deriva insana em que o PSD agora entrou, porque não é saudável para o futuro da democracia”.

Para o líder do PS, “os princípios não se metem na gaveta, praticam-se mesmo quando são difíceis”, afirmou António Costa, antes de criticar o presidente social-democrata de ter feito um “julgamento de tabacaria” durante uma campanha eleitoral porque “dava-lhe jeito para ganhar votos”.

António Costa disse, ainda, que os social-democratas, em matéria de Justiça, “propõem-se ser os baluartes do ataque à independência das magistraturas”.

O líder socialista revelou que fica “um bocado perplexo com a facilidade com que alguns políticos comentam as decisões judiciais como os adeptos de um clube de futebol comentam a atuação de um árbitro e gostam da decisão se é [a favor] do seu clube e não gostam se não é”.

“Os juízes e as magistraturas não são árbitros de futebol e os políticos não estão perante os tribunais como os adeptos de um clube estão perante um árbitro. Essa degradação do distanciamento da relação dos políticos com a justiça é uma ameaça perigosa à independência do poder judicial”, considera António Costa.