fbpx

António Costa evoca conquista do SNS na celebração de Abril


Foi a revolução do 25 de Abril de 1974 que permitiu que os portugueses tivessem conquistado um Serviço Nacional de Saúde (SNS) “público, universal, tendencialmente gratuito e acessível a todos”, independentemente de onde “vivam ou qual seja a sua situação económica”, referiu o primeiro-ministro, ontem na inauguração do maior Centro de Saúde do país, no concelho de Sintra.

Depois de ter marcado presença nas comemorações oficiais do 25 de Abril na Assembleia da República, o primeiro-ministro deslocou-se ao município de Sintra, na companhia da ministra da Saúde, Marta Temido, onde inaugurou o maior Centro de Saúde do país, na freguesia de Algueirão Mem Martins, enaltecendo António Costa na sua intervenção o valor supremo que representa para os portugueses o SNS que, como afirmou, não teria nunca avançado caso não tivesse havido a conjugação de dois fatores determinantes: uma mudança radical de regime político em abril de 74 e o facto de Portugal ter aderido, anos mais tarde, à União Europeia.

O primeiro-ministro, que estava também acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, lembrou que os fundos comunitários têm tido, desde a adesão de Portugal à então CEE, um peso estruturante no desenvolvimento do país e na modernização dos seus equipamentos, designadamente na área da saúde, referindo a propósito António Costa que, no caso particular deste novo equipamento da saúde de Sintra, foram os “fundos comunitários que o financiaram em 50%”, reafirmando o que há muito vem defendendo que a União Europeia não pode ser vista apenas como “uma coisa distante que está lá em Bruxelas”, mas que, pelo contrário, deverá ser olhada como uma instituição que “está em todos os Algueirões Mem Martins que existem nos 27 Estados-membros”.

O chefe do Governo lembrou ainda que ficou decidido incluir no próximo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) um reforço de verbas para dotar este tipo de unidades de saúde, “pela primeira vez”, com novos equipamentos, designadamente de diagnóstico, mas também para a saúde oral e mental, “para que sejam novas valências do SNS”.

466 milhões de euros para a Saúde

Intervindo nesta cerimónia de inauguração do Centro de Saúde no concelho de Sintra, a ministra Marta Temido deixou a garantia de que o Governo prevê alocar ao setor nos próximos anos cerca de 466 milhões de euros, para que se ultrapasse, por exemplo, como mencionou, um problema que atualmente ainda se verifica de haver muitos portugueses “sem equipa de saúde familiar”, deixando a a governante um agradecimento “muito profundo” àqueles que “fizeram o 25 de Abril e que lutaram para que os que chegaram aos cuidados de saúde não tenham de fazer prova de capacidade financeira para avançar”.

Comemorar os 50 anos do 25 de Abril

As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, por acordo entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, António Costa, terão o seu início logo a 24 de março de 2022, altura em que a “democracia supera em um dia a duração da ditadura” salazarista.

Uma notícia dada pelo primeiro-ministro já na parte da tarde do dia de ontem, momentos após ter inaugurado nos jardins da residência oficial em São Bento uma escultura da artista plástica Fernanda Fragateiro, uma iniciativa que foi integrada no programa das comemorações do 47º aniversário do 25 de Abril.

A escolha desta data, ainda segundo António Costa, tem a ver sobretudo com o facto de a ditadura ter durado precisamente “47 anos, dez meses e 28 dias, num total de 17.499 dias”, apontando o primeiro-ministro que só depois da soma de todo este tempo é que “começou a contagem decrescente para se ultrapassar em democracia o tempo que durou o regime do chamado Estado Novo”, sendo por isso, como reforçou, que só no “próximo dia 24 de março é que o regime democrático terá já 17.500 dias” ultrapassando “por um dia o tempo que durou a ditadura”.

Com início no dia 24 de março de 2022, as comemorações deverão depois estender-se, como ficou acordado entre o PR e o primeiro-ministro, até 2026, “altura em que serão celebrados os 50 anos da entrada em vigor da Constituição da República, das primeiras eleições legislativas, regionais, autárquicas e presidenciais em democracia”.

Sérgio Godinho distinguido com medalha de mérito cultural

António Costa atribuiu ainda no domingo a medalha de mérito cultural ao músico Sérgio Godinho, que protagonizou um dos momentos altos do programa cultural das comemorações do 25 de Abril, com um concerto gravado nos jardins de São Bento, acompanhado ao piano por Filipe Raposo, e que foi transmitido nas plataformas digitais e na RTP1.

“No ano em que Sérgio Godinho completa 50 anos de carreira, o Governo entendeu prestar pública homenagem a um dos grandes renovadores da música portuguesa, atribuindo-lhe a medalha de mérito cultural no dia em que se evoca a afirmação da liberdade”, salienta-se no texto alusivo.

Antes, a inauguração da escultura ‘A Poesia é’, da autoria de Fernanda Fragateiro, foi transmitida em direto através do Twitter, Facebook e Youtube.