fbpx

António Costa considera que poucos exprimiram tão bem a alma dos socialistas como Jorge Coelho


O Secretário-Geral do PS, António Costa, considerou hoje que Jorge Coelho será recordado como “um cidadão dedicado ao seu país, que serviu com grande dignidade o Governo da República” e que poucos como ele “conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas”.

“No PS, estamos todos naturalmente em choque com o falecimento surpreendente do doutor Jorge Coelho”, disse António Costa, numa declaração na sede nacional do partido, em Lisboa, após a confirmação da morte do antigo dirigente socialista e ministro e ministro dos governos de António Guterres entre 1995 e 2002, vítima de paragem cardíaca fulminante, ao fim da tarde desta quarta-feira.

“Os portugueses recordarão seguramente o Jorge Coelho como um cidadão dedicado ao seu país, que serviu com grande dignidade o Governo da República que deixou há 20 anos num momento trágico em que decidiu assumir pessoalmente a responsabilidade politica por uma tragédia imensa”, disse o também primeiro-ministro, numa alusão à queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, quando Jorge Coelho tutelava a pasta da Obras Públicas no segundo executivo chefiado por António Guterres.

Lembrando que Jorge Coelho continuou a servir Portugal ao investir na sua terra, em Mangualde, onde abriu uma queijaria e promoveu um dos produtos mais importantes da região, António Costa destacou, sobretudo, o seu percurso no Partido Socialista.

“Para todos os socialistas é um momento particularmente doloroso porque o Jorge Coelho não era só um camarada, era um amigo de todos nós e um amigo de todas as gerações do partido socialista. Poucos foram aqueles que conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas”, afirmou.

António Costa salientou também o papel de Jorge Coelho na direção liderada por António Guterres a partir de 1992, quando o PS estava na oposição ao segundo Governo de maioria absoluta do PSD de Cavaco Silva.

“Todos recordaremos Jorge Coelho como aquele que sempre soube interpretar, com uma intuição extraordinária, o sentimento do cidadão comum, dando expressão à alma socialista. Nos anos duros de oposição, na década de 90, foi uma força da natureza que ajudou a reerguer o PS. Foi uma espécie de braço-direito de António Guterres na construção da alternativa em 1995”, recordou.

“Jorge Coelho foi símbolo de energia, força, capacidade de ação nos momentos mais difíceis que vivemos, mas também era quem transmitia uma palavra de serenidade nos momentos de exaltação. Jorge Coelho foi sempre um fator de unidade entre todos nós nos momentos em que as divisões nos atravessaram”, lembrou ainda António Costa.

“É por isso um amigo, um camarada que todos perdemos e que iremos chorar cada um por si. Não o vamos poder expressar como gostaríamos neste momento em que a pandemia nos impõe contenção, mas encontraremos, uma vez passada esta situação, a devida forma de prestar homenagem àquele que era seguramente um dos mais queridos de todos nós”, afirmou o atual Primeiro-Ministro.