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Governo assinala descida acentuada de novos casos e reitera que é decisivo manter vigilância


Apesar de se verificar uma “clara tendência” para a descida do número de infetados em Portugal por Covid-19, como garantiu o primeiro-ministro numa mensagem após ter participado por videoconferência na 16ª sessão no Infarmed sobre a situação epidemiológica no país, ainda subsistem, contudo, como referiu, sérias preocupações com as “novas variantes do coronavírus”.

O desagravamento do número de infetados por Covid-19 no país não pode criar nos portugueses a ilusão de que a crise pandémica está ultrapassada ou em véspera de ser derrotada, lembrando o primeiro-ministro que o nível de incidência e as novas variantes do coronavírus continuam a “constituir motivos de preocupação”.

Com efeito, como assinalou o chefe do executivo, apesar da tendência positiva de descida em Portugal, o cenário epidemiológico continua, contudo, a ser bastante preocupante, lembrando a este propósito António Costa que o número de doentes infetados continua, apesar da descida, a ser “muito elevado”, sobretudo na incidência que representam para os serviços de saúde.

Numa reunião onde também participaram presencialmente o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, a ministra da Saúde, os representantes de partidos políticos com assento parlamentar e os parceiros sociais, o primeiro-ministro fez questão de sinalizar nesta sua mensagem que, numa altura em que se começam a registar em Portugal níveis mais baixos de incidência da doença na população, é decisivo que não se atenue a vigilância em relação às novas variantes do coronavírus, que continuam a disseminar, como lembrou, novas ocorrências, aconselhando os portugueses a não abandonarem as regras de segurança que desde o princípio da pandemia a Direção Geral da Saúde indica.

Relaxar seria um risco

No final desta reunião no Infarmed, a ministra da Saúde, em conferência de imprensa, preveniu que a maior mobilidade que se tem registado nas últimas semanas poderá trazer de novo níveis de incidência da doença e números de risco de transmissão elevados, aconselhando que se mantenha o “cumprimento das medidas restritivas” e os níveis apertados de confinamento evitando um relaxamento precoce sem que antes, como referiu, haja “uma alteração legislativa” nesse sentido.

Segundo a ministra Marta Temido, um dos fatores determinantes para que se desaprove um desconfinamento, que de momento “seria prematuro”, tem a ver também com o elevado número de doentes que ainda estão internados no Serviço Nacional de Saúde, “particularmente em cuidados intensivos”, defendendo a governante que a situação recomenda que se continue a fazer uma “avaliação ponderada” de todas as circunstâncias”, insistindo que o país “não dispõe de recursos humanos, médicos e de enfermagem” suficientes para manter uma ajuda eficaz a um número muito elevado de doentes Covid-19, sem suspender a assistência aos doentes não Covid.

Quanto à saída do atual modelo de confinamento, a ministra da Saúde referiu que a perspetiva abordada pelos especialistas aponta para um cenário “bastante uniforme”, destacando diversas soluções, designadamente “critérios de incidência, critérios associados ao número de internamentos e também critérios quantitativos e qualitativos”, relativamente à Covid-19, garantindo a ministra Marta Temido que este também é o momento em que “todos estamos a equacionar” as medidas de desconfinamento, que poderão ser gradualmente implementadas e “por onde começar a aplicá-las”, sendo coerente que o Governo, como salientou, depois de ter referido por várias vezes que o último encerramento que desejaria era o das atividades escolares, pense agora “num processo de reversão”, isto é, que o primeiro lugar a desconfiar seja precisamente o das atividades escolares.

Também em relação ao plano de vacinação, a ministra voltou a garantir que “corre conforme o planeado”, reiterando que os números transmitidos horas antes pelo coordenador da ‘task force’ permitem colocar Portugal “em linha com os objetivos europeus” para este ano, ou seja, como acrescentou, estão já neste momento, no final do primeiro trimestre, cerca de 80 por cento das pessoas com mais de 80 anos de idade e das pessoas que trabalham no setor da saúde ou no setor social no apoio a cidadãos vulneráveis vacinados, garantindo que pelas contas do Governo até ao final do verão “70 por cento dos portugueses estarão vacinados”.

A ministra Marta Temido garantiu ainda que a operacionalização da nova estratégia de testagem contra o vírus SARS-CoV-2 “está já em marcha”, entrando em vigor “à meia-noite”, um dado mais que coloca Portugal, como frisou a governante, como o “sétimo país europeu que mais testes realiza por milhão de habitantes”, muito próximo da Bélgica e de Espanha, lembrando que o país teve, no mês de janeiro, “a sua maior média de testes por dia e fevereiro como o terceiro melhor mês desde o início da pandemia”.