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Investimento em inovação é um eixo central para a estratégia de recuperação do país


A “inovação no setor agrícola é crítica para o futuro de Portugal”, sustentou esta manhã no município do Cartaxo, distrito de Santarém, o primeiro-ministro, António Costa, na apresentação da Agenda de Inovação para a Agricultura 2030.

Puxando pelo papel “determinante da agricultura” no contexto da economia portuguesa e pela “tarefa fundamental” que mais uma vez desempenhou, desta feita, “durante os meses complicados da pandemia”, em março e abril últimos, o primeiro-ministro foi esta manhã ao Cartaxo apresentar a ‘Agenda de Inovação para a Agricultura 2030’, começando por aludir ao papel “essencial” que a inovação tem desempenhado no desenvolvimento da agricultura nas últimas décadas, fenómeno que tem permitido, como lembrou, entre outros avanços, que Portugal tenha “reduzido em cerca de 400 milhões de euros o seu défice alimentar”.

Uma realidade que, na opinião do chefe do Governo, só foi possível alcançar como resultado do dinamismo que o setor agrícola tem vindo a conhecer nos últimos anos no país, também pelo “esforço feito pelos agentes do setor”, uma conjugação de iniciativas que tem permitido que as exportações agrícolas “tenham crescido em média 5% por ano” e que as vendas de produtos agroalimentares nacionais ao estrangeiro representem já cerca de 11% do total das exportações. Recordando António Costa que, graças ao avanço sustentado da inovação no setor, Portugal consegue hoje vender produtos agrícolas para 185 mercados, sendo que “mais de 50 foram abertos nos últimos cinco anos”.

Olhos postos na Europa

Na perspetiva mais global da União Europeia, o primeiro-ministro referiu-se aos “pilares estratégicos” que Bruxelas definiu para o setor, com destaque para o decisivo papel do “reforço da resiliência da agricultura europeia” perante a “dupla transição digital e climática”, acrescentando que tanto Portugal como a União Europeia têm de iniciar um processo rápido que leve a uma sustentada caminhada contra os riscos colocados pelas alterações climáticas, pressuposto que permitirá que “todos os Estados-membros aumentem a sua autonomia estratégica”.

Um dos ensinamentos que, na perspetiva de António Costa, ninguém pode deixar de tirar de toda esta crise trazida pela pandemia do novo coronavírus, é que “não podemos depender de cadeias de valor globalizadas”, em que pela sua extensão, inevitavelmente, “aumenta o risco de rotura de abastecimento de bens essenciais”, dando a este propósito o exemplo dos bens agroalimentares.

Neste sentido, António Costa realçou que a Europa no seu conjunto vai ter de saber “produzir mais e melhor”, aliando a resiliência necessária “à dupla transição”, um desafio que em sua opinião é para “ganhar e reforçar o sentido futuro desta atividade”, voltando a assinalar que o investimento em inovação “é crítico para a agricultura”, pelo que os países europeus têm de produzir “mais num contexto em que os recursos escasseiam e as alterações climáticas nos colocam desafios muito particulares”.

Uma realidade que se coloca ainda com mais premência em Portugal, já que é, como assinalou, um dos países da União Europeia que “mais sofrerá com os riscos das alterações climáticas”, pela “escassez de água, da erosão costeira, dos incêndios florestais ou da imprevisibilidade do clima”, realidades, como acrescentou, que constituindo “riscos para a agricultura” induzem que sejam encarados como aliados, uma vez que a “agricultura dá um contributo inestimável para a regulação das alterações climáticas e o ambiente é indispensável para a subsistência da agricultura”.

O primeiro-ministro realçou ainda a importância da utilização das tecnologias de informação “como ferramenta de trabalho agrícola”, referindo a propósito que, dos 26 laboratórios colaborativos criados nos últimos anos, “sete são do setor agroalimentar”, o que na sua perspetiva vem comprovar que a inovação na agricultura vai assumir um papel exponencial na qualidade da saúde das populações, contribuir para uma “maior coesão territorial e sustentabilidade ambiental” e ser um fator determinante para a “preservação dos recursos necessários ao desenvolvimento de mais bens alimentares”.