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Capacidade de resposta à pandemia não aconteceu por acaso


O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS Porfírio Silva elogiou, no Parlamento, o Governo português pela resposta “acertada” no combate ao Covid-19, por ter uma “voz ativa” e “respeitada” na União Europeia, e criticou os “esquecidos instantâneos” por estarem fora do espírito de “concertação” indispensável neste tempo de pandemia.

“Os que dedicam as suas vidas ao bem comum, os serviços públicos – onde ninguém deixa de ser atendido por não poder pagar – foram a espinha dorsal da capacidade de resposta dos portugueses a este tremendo desafio”, considerou o socialista durante o encerramento do debate, requerido pelo PS, sobre as respostas do Estado social à pandemia, explicando que “esta capacidade de resposta não aconteceu por acaso”, mas antes “foi construída com políticas acertadas que robusteceram o país nos últimos anos”.

“Não esperámos pela pandemia para reforçar o SNS a uma escala sem precedentes, não esperámos pela Covid para começar a trabalhar num programa para o digital na educação”, assegurou o deputado.

Porfírio Silva assinalou que “os desafios estratégicos de enfrentar as alterações climáticas, de fazer face à questão demográfica com mais qualidade de vida para todos e melhor conciliação entre vida familiar e vida profissional, de promover a igualdade entre pessoas e a coesão entre territórios, da transição digital justa mostram que o nosso compromisso com o povo português para esta legislatura é hoje mais válido do que nunca”.

“As opções políticas fazem toda a diferença na vida concreta das pessoas”, garantiu o vice-presidente da bancada socialista, dando como exemplo a “anterior grande crise internacional”, que foi “aproveitada por alguns para aplicar o programa político dos que diziam que tínhamos de empobrecer para sair da crise e que a perda de direitos devia ser permanente”.

“Felizmente, temos hoje um Governo que sabe bem que a austeridade não resolve a crise”, tal como mostram “as linhas já divulgadas do Programa de Estabilização Económica e Social, que assume as prioridades articuladas de proteger as empresas, proteger o emprego, proteger os rendimentos e que inclui o desígnio de uma estratégia nacional de combate à pobreza”, referiu.

Porfírio Silva apontou que o país se agarrou, “e bem, a um método de concertação onde responsáveis políticos e sociais procuraram dar o melhor uso possível ao conhecimento científico disponível em cada momento, para nos guiarmos mutuamente nesse oceano de incerteza e tomarmos as melhores decisões políticas possíveis” durante a pandemia.

“Contudo, não tardam a surgir os esquecidos instantâneos, que vão fazer de conta que havia certezas onde havia dúvidas, que vão querer ter toda a razão três meses depois, quando foi preciso agir naquele momento”, criticou o socialista, que sublinhou que a “democracia nunca esteve suspensa”.

Por isso, é desejável “que exista debate e contraditório político, e que ele sirva para continuar o grau de concertação indispensável à gravidade deste tempo. Mas os esquecidos instantâneos estão fora desse espírito”, lamentou.

Portugal mostrou à Europa que havia alternativa

Porfírio Silva elogiou depois do Executivo por “defender Portugal na União Europeia, um primeiro-ministro com uma voz ativa, reconhecida e respeitada”. E assinalou que “a Europa, afinal, aprendeu alguma coisa com os erros cometidos na crise anterior”, demonstrado na apresentação da proposta da Comissão Europeia para a recuperação económica.

“E também aí tivemos um papel, porque Portugal mostrou que havia uma alternativa, que o progresso económico tem de ir a par do progresso social”, congratulou-se.

Esta “cooperação inteligente” passa pela “mutualização das oportunidades, dos riscos e das responsabilidades”, mencionou o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS.

No entanto, segundo Porfírio Silva, “há quem continue a profetizar que a União Europeia não vai fazer nada do que é preciso fazer. Até há mesmo quem continue a profetizar que a União Europeia não vai fazer aquilo que até já fez”.

Perante todas as bancadas, o socialista deixou um último alerta: “Talvez seja altura de deixarem o ofício de profetas da desgraça e investirem as suas forças no muito trabalho que é preciso fazer para que se concretize o que está proposto”, até porque “todos não seremos demais”.