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José Luís Carneiro acusa PSD de defender desregulamentação do mercado de trabalho


O Secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, acusou hoje o presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD, Joaquim Sarmento, de defender a “desregulamentação” do mercado de trabalho e de trazer de novo ao país “a visão da austeridade dos governos de Pedro Passos Coelho”.

José Luís Carneiro assumiu esta posição em declarações à agência Lusa, após uma reunião com a UGT, liderada por Carlos Silva, na sede nacional do PS, em Lisboa, na sequência das declarações do dirigente do PSD num debate online promovido pela JSD.

“Joaquim Sarmento, aliás, invoca os anos de 2012 e de 2013, que foram precisamente os piores para as condições de vida dos portugueses. Mas é essa a visão do Conselho Estratégico Nacional do PSD”, sustentou.

Para José Luís Carneiro, esta ideia do PSD de desregulamentar as leis laborais “é inaceitável, porque parte do pressuposto que o país tem um mercado de trabalho dual”. “Joaquim Sarmento defende que se deve desregulamentar a contratação coletiva e aqueles que tem emprego com dignidade, abrindo as portas à desregulação laboral em detrimento de procurar criar condições para a estabilidade laboral. Estamos perante uma visão retrógrada. Na atual conjuntura do país, essas declarações ganham ainda maior gravidade”, afirmou o secretário-geral adjunto do PS.

José Luís Carneiro reuniu-se também com o Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços (SINDETELCO) e vai transmitir as suas preocupações quer à bancada socialista, quer ao Governo.

“Os CTT é uma empresa que tem historicamente uma cultura de serviço público elevada e muito respeitada por parte dos portugueses. Foi transmitido ao PS que há aspetos essenciais que carecem de atenção por parte da administração da empresa”, referiu o dirigente.

José Luís Carneiro apontou igualmente que está “a chegar ao fim o contrato de concessão dos CTT, “o que preocupa os trabalhadores dedicados desta importante empresa”.

“A cultura de serviço público tem de ser defendida e, por outro lado, questões de fácil solução têm de ter resposta por parte da administração, tendo em vista evitar que algumas correntes sindicais sejam obrigadas a participar na greve”, garantiu.

PS garante que presidenciais serão discutidas nos órgãos próprios

À margem das reuniões desta manhã, o secretário-geral adjunto do PS, questionado sobre as declarações da ex-dirigente socialista Ana Gomes sobre a ausência de democracia interna no partido, considerou estas críticas “inaceitáveis”, garantindo que o tema das eleições presidenciais “não é tabu” e será debatido.

“Essas críticas não podem ser aceites e têm de ser repudiadas. Tenho uma relação de estima pessoal e de amizade com Ana Gomes, mas, como é evidente, o PS tem os seus órgãos próprios, que se têm reunido regularmente”, reagiu José Luís Carneiro.

O secretário-geral adjunto do PS indicou depois que o seu partido vai reunir a Comissão Política Nacional na quinta-feira e, “logo que estejam reunidas as condições, haverá lugar a uma reunião da Comissão Nacional do PS”, o órgão máximo partidário entre congressos.

“Em todos os órgãos do PS não há matérias tabu. Todas as matérias podem ser objeto de discussão, de divergência e de concertação. Essa crítica de Ana Gomes é inaceitável, porque o PS tem sido um garante das liberdades cívicas, políticas e democráticas neste país, tanto no plano do Estado, como também na sua vida interna”, acentuou.

Em relação às eleições presidenciais, José Luís Carneiro deixou o seguinte recado: “Mesmo que as decisões não sejam conformes à vontade daqueles que se querem habilitar a uma candidatura, seja presidencial ou de outra natureza, não é por isso que se deve menorizar o funcionamento democrático do PS”.

“Aquilo que contribui para desrespeitar os militantes e os simpatizantes do PS é partir do pressuposto que este partido dispensaria a auscultação democrática dentro dos seus órgãos. O PS debate todos os temas quando as questões se colocam”, reforçou José Luís Carneiro.

Nas declarações que fez à agência Lusa, o “numero dois” da direção dos socialistas citou a posição de António Costa sobre as eleições presidenciais, dizendo que o ato de candidatura “é de cidadania”, competindo depois ao PS “debater e decidir sobre o modo como se posiciona face às candidaturas”.

“Ou mesmo o PS pode optar por deixar ficar essa questão à consideração dos seus militantes e simpatizantes. Não compete ao PS propor candidatos e não é essa a prática do PS”, advertiu José Luís Carneiro.