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Tentativa de criar “novelas” para abrir divergências no governo é algo que já vimos anteriormente


O presidente do Partido Socialista, Carlos César, alertou hoje que não se deve colocar a questão da transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco numa perspetiva de “novelas” sobre a relação entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, “que nunca foram nem são baseadas em factos reais, procuram apenas cavar divergências dentro do Governo”.

Durante o programa semanal da rádio TSF ‘Almoços Grátis’, o presidente do PS recordou que tal “já tinha sido feito várias vezes no Governo anterior [do PS] e têm-no feito já por várias vezes neste Governo, mas vamos sempre verificando que era mesmo uma novela, ou seja, era mesmo ficção”.

Afastando qualquer problema político entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro, Carlos César lembrou que a banca não é um “setor nocivo” nem um “vírus do funcionamento das economias e do funcionamento dos países e da comunidade internacional”. “A verdade é que nós temos uma banca que está agora conjunturalmente afetada e numa situação regressiva pelas consequências das imparidades de crédito em função da crise pandémica”, frisou.

Carlos César evidenciou que “o princípio de apoiar bancos é essencial para a salvaguarda da economia”, apesar da “péssima solução que se deu no Governo de Passos Coelho ao caso do BES”. Assim, o apoio aos bancos “deve ser a preocupação dos decisores evidentemente não para salvar banqueiros, mas para salvar depositantes, financiadores da economia, de empresas e do emprego e manter a segurança do país nos mercados e a confiança também nos outros atores do sistema bancário português”.

O dirigente socialista recordou que “a venda do Novo Banco foi, tal como outras diligências à época no setor bancário, feita numa situação caótica e com uma má resolução, mas teve regras contratuais que não podem evidentemente ser alteradas a qualquer momento”. Por isso é que foi aprovada a realização de uma auditoria, que só estará concluída em julho.

No entanto, esta gestão tem auditorias múltiplas, como por exemplo do Banco de Portugal. “É também auditada e validada precedendo cada um dos pagamentos de satisfação dos compromissos contratuais existentes”, e, para Carlos César, foi a estas auditorias múltiplas que o primeiro-ministro se referiu na Assembleia da República, quando disse que até final da auditoria não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao fundo de resolução para esse fim.

O presidente do Partido Socialista deixou depois claro que, “se há alguém no nosso país que tem qualidades e que tem um acompanhamento muito minucioso da atividade governativa e da atividade social e económica em geral do país, e que o tem demonstrado, é justamente o primeiro-ministro, António Costa”.

Desconfinamento implica um jogo de equilíbrio

Carlos César comparou depois a recuperação económica e do funcionamento social no período do desconfinamento à reconstrução de uma casa degradada, tentando aproveitar o máximo do existente: “Essa recuperação só é sustentável se não afetarmos todas as paredes-mestras, que é como quem diz, se não destruirmos o trabalho de controlo da pandemia que até agora fizemos”.

“Como diz o primeiro-ministro, isto é um jogo de equilíbrio e é fundamental proceder de forma a não morrer da doença e a não morrer da cura. E é esse o caminho que eu julgo que se está a procurar seguir, cujos resultados me parecem positivos”, defendeu.

O presidente do PS alertou que “o comportamento normal numa situação que é imprevista e que não está experimentada é tentar o melhor possível à partida e ir retificando à medida que, quer as pessoas vão fazendo chamadas de atenção, quer os resultados não são aqueles que nós gostaríamos”.

E referiu-se ao caso das celebrações do 13 de maio em Fátima, concordando com a decisão da igreja em assinalara a data sem peregrinos. “Este ainda é um momento em que também a fé pode e deve ser expressada na sua dimensão espiritual”, declarou.

Já a Festa do Avante “é um caso um pouco singular, porque, como disse Jerónimo de Sousa, a Festa do Avante não é um festival de música, mas uma grande realização política e cultural”. Com alguma ironia, Carlos César disse que “já não temos só o problema da Fátima, do futebol e da festa, temos também do festival. Portanto já temos muitos f’s para resolver nesta abertura” gradual do país.

“O que releva é haver, ou não, respeito pelas regras de contenção exigidas. Se a Festa do Avante não o permite, pois a Festa do Avante deve ter outra configuração necessariamente”, acrescentou Carlos César, que lembrou que o PS adiou sem data o seu Congresso, e que o PSD ainda hoje anunciou que a festa de verão que habitualmente realiza não irá acontecer.

Oiça aqui o programa de hoje na íntegra.