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“Este é o momento de os empresários se baterem pelas suas empresas e pelos seus trabalhadores”


“Estamos a poucos dias de acordar com a banca uma moratória para as famílias e para as empresas”, anunciou ontem o primeiro-ministro, garantindo que o crédito em negociação “será extensível no máximo a quatro anos, tendo um ano de período de carência”.

Na entrevista que ontem concedeu ao canal de televisão TVI, o primeiro-ministro garantiu que o Governo está em vésperas de acordar com o sistema financeiro, “para além das iniciativas que os vários bancos jà têm vindo a anunciar”, uma moratória no pagamento de créditos das famílias, sobretudo tendo em vista o crédito à habitação, e das empresas “com créditos múltiplos”, de forma a assegurar-lhes “maior liquidez na tesouraria”.

Quanto a prazos, o primeiro-ministro referiu que a existência do crédito negociado será “extensível a quatro anos no máximo”, com um ano de “período de carência”, deixando a certeza de que o Governo irá utilizar “todos os recursos a seu alcance” para que estas negociações resultem em soluções concretas para as famílias e para as empresas. Fazendo questão de ressalvar que o Estado “não tem uma varinha mágica para resolver o problema de todos”, nem bóias de salvação que “nos possam ajudar num tsunami”, porque é um “tsunami que temos pela frente”, António Costa assinalou que as perspetivas da economia portuguesa nos próximos meses dependem também, em larga escala, da participação ativa de todos, não só do Estado, mas igualmente de empresários e dos trabalhadores.

Trata-se, segundo o primeiro-ministro, de um período muito dificil, não só para a população em geral como para as empresas e para a economia no seu conjunto, voltando a referir que de nada vale estar a criar ilusões às pessoas de que “vamos passar este processo sem dor”, porque, como insistiu, “vai mesmo haver dor”, sendo que esta, como assinalou, é a forma mais correta de todos nos relacionarmos uns com os outros.

Quanto às preocupações de que esta crise poderá trazer a Portugal um exército de mais de um milhão de desempregados, numa altura em que o país beneficiava de taxas de desemprego das mais baixas da sua história e uma das mais baixas de toda a União Europeia, o primeiro-ministro, depois de defender que tudo terá de ser feito para se “evitar esse tipo de cenários”, reafirmou que a “pior coisa que nos poderia acontecer era haver um aumento do desemprego massiço”, recordando que até ao momento os pedidos de autorização para despedimentos colectivos “são ainda em número bastante limitado”.

A este propósito, o primeiro-ministro voltou a defender não ser este o momento para os empresários fazerem despedimentos, pedindo-lhes, em contrapartida, que tenham a confiança necessária para se “baterem pelas suas empresas e pelos seus trabalhadores”, com o foco principalmente nos próximos três meses, período no qual, segundo António Costa, é preciso que “em conjunto todos façamos um esforço para sustentar o mais possível as empresas, o emprego e o rendimento das famílias.

O país tem de “continuar a trabalhar e não parar”, salientou ainda António Costa, reagindo, deste modo, a algumas teses que têm vindo a aconselhar a que Portugal se feche ou pare, o que para o chefe do Executivo é um contrasenso, tendo em vista, como referiu, a necessidade de se encontrar o “equilíbrio que temos de manter”.

Necessidade de um grande plano europeu de reconstrução económica

Nesta entrevista à TVI, o primeiro-ministro voltou a manifestar a convicção de que a União Europeia vai adotar a curto prazo “um grande plano para a mobilização e reconstrução das economias dos estados-membros”, sobretudo enquadrado numa prespetiva de “combate à crise provocada pela pandemia de Covid-19”.

Sem ter referido de forma explicita os “eurobonds”, o primeiro-ministro não deixou, contudo, de salientar algumas iniciativa já anunciadas pela Comissão Europeia de apoio aos Estados-membros, referindo a propósito o anúncio de 37 mil mihões de euros para a reprogramação de dinheiros já alocados, no caso do país ao Portugal 2020, mas ainda o facto de a Comissão Europeia ter já flexibilizado o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PAC) e do Banco Central Europeu (BCE) ter decidido injetar mais 750 mil milhões de euros para a aquisição de dívida pública dos países europeus, mostrando-se convicto de que a Europa tem de ter um grande plano e um “grande projeto de mobilização e de reconstrução económica” depois desta pandemia, “chamem-lhe Marshall ou von der Layen”.

“É importante que o sentido de comunidade se afirme”

Já na parte final da entrevista, António Costa lembrou que Governo tem pautado com uma grande “prudência a aplicação do estado de emergência”, reafirmando que a liberdade “é um bem preciosíssimo que importa saber salvaguardar”, não colocando de lado, contudo, a hipótese de vir a aplicar um “quadro sancionatório” se tal se vier a mostrar necessário perante situações de crime de desobediência.

António Costa defendeu depois que esta é uma fase em todos os cidadãos têm de possuir disciplina e “muito sangue frio”.

“É importante que o sentido de comunidade se afirme. Temos de recusar o egoísmo. Acho que temos de nos manter conscientes da gravidade da situação”, acrescentou.