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Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto 2020


Há 75 anos, o mundo conhecia a verdadeira dimensão da barbárie humana. Quando as portas do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau se abriram, saíram por elas para o mundo os relatos das experiências pessoais de cada um dos sobreviventes e a memória das vítimas, enraizando nas consciências individuais de gerações sucessivas o apelo moral contra o genocídio e o totalitarismo.

Esse momento é celebrado anualmente no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Lembramos hoje os seis milhões de judeus e muitos outros assassinados por uma ideologia racista. Lembramos o passado sombrio do nosso continente.

A Europa atual nasceu desse período traumático da história mundial. Procurando renascer das cinzas e dos crimes da Segunda Guerra Mundial, os europeus esforçaram-se por criar um espaço de unidade e solidariedade entre povos, sustentado na democracia e nos Direitos Humanos, no qual crimes contra a humanidade como o holocausto nunca mais pudessem voltar a acontecer.

Numa altura em que assistimos ao ressurgir no nosso continente de visões mais fechadas e menos solidárias sobre o relacionamento entre comunidades e povos, é este o momento certo para reafirmar os nossos valores e políticas de combate ao antissemitismo, ao racismo, à xenofobia, ao discurso de ódio e à intolerância política e religiosa. E, em simultâneo, de lembrar a responsabilidade europeia de estender a sua solidariedade e apoio aos que procuram fugir da guerra, da perseguição e da ditadura. Uma Europa mais solidária e inclusiva, que acolhe a diversidade como um fator de enriquecimento social, cultural e religioso.

É também o momento para lembrar os portugueses, como Aristides de Sousa Mendes, que não viraram a cara para o lado e ajudaram judeus perseguidos a alcançar portos mais seguros e a escapar a mortes quase certas. À medida que os acontecimentos se afastam no tempo e a presença viva dos sobreviventes se torna mais escassa, torna-se crucial que a sua voz seja ouvida e passada de pessoa para pessoa, de geração para geração. Cabe-nos a nós prolongar a memória, para não repetirmos a história.

José Luís Carneiro – Secretário-Geral Adjunto do Partido Socialista