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“É possível agir e vale a pena agir”


O primeiro-ministro, António Costa, alertou em Madrid os cerca de 50 líderes mundiais presentes na sessão da abertura da cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (COP25), que o tempo é “curto”, havendo o “dever imperioso de agir”.

“Temos dois deveres, ouvir os cientistas e o dever imperioso de agir” para salvar o planeta das consequências das alterações climáticas, disse António Costa na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que se seguiu à sessão de abertura da cimeira, na capital espanhola, vincando que “há uma ameaça sobre a humanidade”.

A mensagem de António Costa foi, aliás, ao encontro das palavras do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que dirigiu um apelo aos representantes de mais 170 países presentes na cimeira para ultrapassarem divisões e chegarem a um entendimento, com “ambição e urgência”, para lutar contra as alterações climáticas.

António Costa afirmou, depois, que “é possível agir e vale a pena agir”, referindo vários exemplos da experiência portuguesa.

“Portugal tem hoje 54% da eletricidade que consome com origem em fontes renováveis”, realçou, acrescentando que este aumento foi conseguido numa altura em que “muitos receavam o impacto económico desta mudança energética”.

O primeiro-ministro referiu, também, que em 2018 Portugal reduziu “três vezes” as emissões de gases nocivos para a atmosfera, relativamente à dimensão do conjunto da União Europeia, e conseguiu, mesmo assim, ter um crescimento económico acima da média europeia.

“A transição energética não nos prejudicou no nosso crescimento”, acentuou, dando também o exemplo da “diminuição do custo da energia em Portugal em 8%, enquanto na União Europeia aumentava 6%”.

Numa intervenção estruturada em quatro pontos fundamentais, António Costa defendeu, em terceiro lugar, que a responsabilidade coletiva “de ir ainda mais longe e ainda mais rapidamente”, dando também o exemplo português, da aprovação de um roteiro que fixou a meta de alcançar, em 2030, 80% da energia elétrica com origem em fontes renováveis, realçando, igualmente, a importância das “interconexões” energéticas para assegurar o transporte da energia, de que é exemplo o acordo entre Portugal e Marrocos, esperando ainda reforçar as ligações com a Europa.

A quarta e última mensagem aos líderes europeus foi a necessidade de atenção aos oceanos, como “o principal regulador climático”.

“Temos de dar a atenção aos oceanos que já damos à transição energética”, afirmou, recordando, a propósito, que Portugal irá organizar em conjunto com o Quénia, em junho de 2020, a segunda conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos.

No fim da sua intervenção, António Costa pediu aos líderes presentes para se inspirarem no português Fernão de Magalhães e no espanhol Juan Sebastián Elcano, que há 500 anos participaram na primeira viagem de circum-navegação, destacando o feito como exemplo de globalização que deve inspirar a defesa da humanidade.