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Governo quer aumentos salariais acima da soma da inflação e da produtividade


O Governo quer alcançar no âmbito da Concertação Social um compromisso que de algum modo possa alavancar nas empresas os salários “acima da inflação e da produtividade” para os próximos anos, defendeu o ministro da Economia.

Falando esta manhã, em Lisboa, à entrada da reunião da Concertação Social sobre o acordo global de rendimentos e competitividade, o ministro da Economia e da Transição Digital garantiu que o Governo vai avançar com uma proposta para que, nos próximos anos, os aumentos salariais nas empresas se situem “acima da soma da inflação e da produtividade”, um objetivo que, segundo Pedro Siza Vieira, permitirá “caminhar para uma mais justa repartição dos salários” no computo da riqueza nacional.

No documento distribuído aos parceiros sociais, o Executivo estima que, de acordo com as previsões atualmente disponíveis, os indicadores de valorização salarial apontariam para os 2,7% no próximo ano, alcançando 2,9% em 2021 e 2022, e 3,2% em 2023.

Segundo o ministro, esta iniciativa do Governo visa criar as condições para que, em sede de negociação coletiva, sindicatos e patrões assumam o compromisso de valorizarem os salários, reafirmando Pedro Siza Vieira que é no âmbito da negociação coletiva “e com a liberdade que ela oferece às empresas e aos sindicatos” que este objetivo melhor pode ser atingido, invertendo deste modo a tendência e os critérios que têm estado subjacentes a toda esta problemática “nos últimos tempos”.

Para que este pressuposto da valorização salarial seja absorvido e plenamente aceite pelas empresas, reconhece o governante, é também necessário não negligenciar, desde logo, a criação de condições para que as empresas possam ser mais competitivas e capazes de aumentar a sua produtividade em todos os setores, defendendo que, para se poder alcançar de forma sustentada este objetivo, ele obriga a que todos “trabalhemos por vários segmentos e de uma forma bastante articulada”.

Objetivo: aumentar a produtividade

Pedro Siza Vieira garantiu também que o Governo nunca pôs em cima da mesa qualquer medida ou proposta para “compensar as empresas pelos aumentos dos salários”, defendendo que o objetivo do Executivo é antes o de “criar condições” para que a produtividade em Portugal evolua de forma mais significativa “do que tem crescido nos últimos anos”, sublinhando que o que país precisa é de “aumentar o investimento” e de ter “políticas públicas de apoio ao investimento”, seja através da “fiscalidade dirigida às empresas ou de instrumentos de financiamento público”.

Outras iniciativas que o ministro assume como sendo decisivas para o futuro imediato do país, passam pelo necessário apoio ao “investimento na formação de ativos e em políticas de inovação”, bem como por “reduzir os custos de contexto das empresas”.

Nesta reunião da Concertação Social, o ministro da Economia Pedro Siza Vieira esteve acompanhado pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, pelo secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, pelo secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Cabrita, e pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes.