fbpx

Governo quer solução rápida para a urgência pediátrica do Garcia de Orta


A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou ontem, após ter reunido com profissionais de saúde dos concelhos de Almada e Seixal, que o encerramento noturno da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta é uma situação temporária, garantindo que o Governo procurará que a sua resolução aconteça o mais rapidamente possível.

A garantia foi deixada pela ministra após ter-se reunido com os médicos, enfermeiros e administrativos que trabalham nos Centros de Saúde Rainha Dona Leonor, em Almada, e da Amora, no Seixal, que passaram a estar abertos até à meia-noite para compensar o encerramento temporário da urgência pediátrica do hospital entre as 20h00 e as 8h00, devido à falta de pediatras.

“O Hospital Garcia de Orta, sendo um hospital de tampão para a península de Setúbal, é um hospital que tem de ter a urgência noturna aberta”, sublinhou a ministra, garantindo que o Governo continua a procurar pediatras interessados em trabalhar na unidade hospitalar. 

O Hospital Garcia de Orta tem 29 pediatras, dos quais apenas quatro fazem bancos de urgência, em razão de serem os únicos com idade inferior a 50 anos. A esta circunstância acresce a ausência de candidatos ao concurso aberto no ano passado.

O encerramento temporário da urgência pediátrica de Almada, explicou a ministra, foi uma solução encontrada depois de outras terem falhado, incluindo a solicitação a hospitais privados e a possibilidade de protocolos com a União das Misericórdias Portuguesas, sendo que nenhuma das hipóteses se revelou viável.

Enquanto a situação não conhece uma resolução definitiva, que a ministra diz esperar para breve, os Centros de Saúde Rainha D. Leonor e da Amora passaram a funcionar de segunda a sexta-feira, das 20h00 às 24h00, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 22h00, mantendo-se depois destes horários o recurso à linha SNS24.

Marta Temido lembrou que estão já a ser contratados dois pediatras, reconhecendo, no entanto, que este número é ainda insuficiente. “Se houver pediatras amanhã para contratar, mais do que aqueles dois que já estão autorizados, serão contratados”, assegurou, reiterando o empenho do Governo.

“Temos duas épocas no ano em que recém-especialistas entram no mercado. Isso não invalida que daqui até lá não estejamos, por todos os meios à disposição, a tentar fazer contratos. Se aparecerem pediatras antes, a resposta será mais célere”, disse.

Deputados do PS pedem resposta célere para defender profissionais e utentes 

Os deputados eleitos pelo Partido Socialista pelo círculo eleitoral de Setúbal estão a acompanhar a situação, tendo já dirigido um conjunto de questões à ministra da Saúde.

A deputada e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Maria Antónia Almeida Santos, reconheceu que “o Ministério da Saúde tem apontado várias soluções para este problema concreto”, enunciando, “desde logo, a abertura de diversas vagas nos concursos de médicos recém especialistas, em 2018 e 2019, a autorização para a celebração de três contratos de trabalho para pediatria e a autorização para a celebração de contratos de prestação de serviços para pediatria, por valores superiores aos de referência”, apontando, no entanto, que “apesar do esforço, não têm conseguindo suprir as necessidades”. A parlamentar afirmou, ainda, que “a ARSLVT tentou através de um acordo com a União das Misericórdias Portuguesas assegurar a cobertura por Pediatras aos fins-de-semana, todavia sem sucesso”.

É neste contexto que os deputados Ana Catarina Mendes, Eurídice Pereira, Catarina Marcelino, Maria Antónia Almeida Santos, Filipe Pacheco, André Pinotes Batista, Sofia Araújo, Fernando José e Clarisse Campos, “realçam os esforços feitos pelo Ministério da Saúde”, mas entendem, também, “que os profissionais de saúde e os utentes não podem correr riscos”.

O deputado Filipe Pacheco, que vem acompanhando matérias da área da saúde no distrito de Setúbal, considera, neste sentido, que “é urgente encontrar medidas de curto prazo que apontem já para a rápida solução deste problema, de forma a que a urgência pediátrica não venha mais a estar encerrada durante certos períodos”. “Não é possível esperar pela natural e definitiva resolução do problema, sem que seja igualmente acautelado o imediato. Entendemos que tem de ser alcançável uma solução no mais curto espaço de tempo”, acrescenta.

Foi neste contexto que os nove deputados eleitos pelo distrito dirigiram o pedido de esclarecimento à ministra da Saúde, nomeadamente, sobre a necessidade de saber, no imediato, qual o plano de contingência que está a ser adotado para garantir o normal funcionamento da urgência pediátrica noturna, que medidas estão a ser equacionadas de modo a resolver as dificuldades estruturais de recrutamento e quais os prazos previstos para a reposição da normalidade naquele serviço.