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Muro de Berlim: o fim de um símbolo


Há trinta anos, a Europa reencontrou-se consigo mesma. Poucos momentos marcaram de forma tão distinta a transição entre duas eras como a Queda do Muro de Berlim, que encerrou um curto século XX atravessado por duas guerras mundiais, seguidas pela longa divisão dos europeus em dois blocos com visões opostas sobre os direitos políticos e individuais, a democracia e a liberdade.


Os acontecimentos de 9 de novembro de 1989 foram feitos de gestos espontâneos e pacíficos de reencontro e de celebração da população de Berlim e acompanhados em direto com expectativa um pouco por todo o mundo, incluindo aqui em Portugal. O seu impacto fez-se sentir muito para além do centro da Europa, porque o muro não dividia apenas uma cidade, estendia-se como um símbolo poderoso de oposição e conflito ideológico por todo o globo.


A sua queda ajudou a alterar de forma profunda, por isso, a situação geopolítica europeia e mundial. Permitiu a expansão da democracia ao Leste da Europa, criou as condições para o alargamento e aprofundamento do projeto europeu e contribuiu para o fim da Guerra Fria, bem como de algumas guerras civis e conflitos apoiados em divisões ideológicas, em África e em outras regiões do mundo.


O muro era uma longa cicatriz no corpo da Europa, que três décadas ajudaram a sarar. Apesar das assimetrias que acompanham a sua diversidade, a Europa vive um longo período de paz e que proporciona às suas populações padrões elevados de participação política, de proteção social e de respeito pelos Direitos Humanos. Por esse motivo, os impulsos de fragmentação, os retrocessos em alguns processos de consolidação democrática e a ascensão de populismos que ameaçam a estabilidade dos sistemas políticos devem servir de alerta para a importância de não se levantarem novos muros com os destroços dos que foram derrubados.

Francisco André – Comissão Permanente do PS responsável pelas relações internacionais